Inês de Castro

Das suas quatro tragédias, esta última é a única que ainda hoje merece atrair a atenção do leitor. As restantes são cópias aproximadas do modelo grego, em cujo mundo se situam.
Inês de Castro foi estruturada segundo a teoria das três unidades - espaço, ação e tempo - e inspirou-se numa obra do mesmo nome de Vellez de Guevara, espanhol seu contemporâneo, e na de António Ferreira. Possui três atos de seis, sete e nove cenas, respetivamente, e toda a ação se passa no espaço de vinte e quatro horas na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. As personagens são o príncipe D. Pedro, Dona Inês de Castro, o rei D. Afonso IV, os conselheiros Coelho e Pacheco, um embaixador de Espanha, Almeida, um confidente de D. Pedro e Leonor, a aia de Dona Inês.Esta tragédia distingue-se relativamente à Castro, de António Ferreira, pela cena que introduz a tragédia, em que se assiste ao encontro entre Pedro e Inês.D. Afonso IV aparece-nos sem nobreza, pusilânime e alheado a toda a espécie de responsabilidade.A peça termina numa imitação do ato II da obra de Ferreira:REI Oh cega e vã cobiça, que desejasA Coroa cingir, reger impérios!O trono é cativeiro, em que os reis vivemCom douradas cadeias maneatados.Da Monarquia escravos, a vontadeTêm menos livre que um humilde servo(...)
Como referenciar: Inês de Castro in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-19 20:15:21]. Disponível na Internet: