Início da Derrocada dos Sistemas Políticos Autoritários

Em 1945, os países da Europa Oriental, libertados do domínio germânico pelo Exército Vermelho (Polónia, Checoslováquia, Albânia, Hungria, Roménia e Bulgária), formaram Frentes Nacionais, isto é, Governos de coligação dos quais faziam parte os partidos comunistas desses países.
Com a chegada da Guerra Fria (1947) e o apoio político da União Soviética, os comunistas tornaram-se as forças dominantes desses Estados, que passaram a ser democracias populares. A partir daí, os países de Leste tornaram-se satélites da URSS, numa altura em que se expandia o modelo socialista soviético.
Em 1948, a Jugoslávia enveredou por uma via socialista diferente, cortando as relações com Moscovo. E em 1949 a área alemã, ocupada pelos Soviéticos, foi transformada na República Democrática Alemã (RDA).
A URSS, para concorrer com o bloco ocidental, criou uma estrutura política, económica e militar, baseada num conjunto de organizações que sustentavam a unidade do bloco socialista (em 1947 surgiu o Kominform, em 1949 foi a vez do Comecon e em 1955 foi criado o Pacto de Varsóvia).
A implantação deste modelo exigiu uma nova organização política, conseguida pela nacionalização das fábricas, minas e meios de transporte, pela confiscação dos grandes domínios agrários, pela planificação centralizada e pela supressão dos partidos ou fações rivais. Como na URSS, a reconstrução económica foi conduzida através da aposta nas indústrias pesadas e no armamento, com o prejuízo das indústrias de bens de consumo e dos produtos agrícolas.
As economias destes países tornaram-se complementares da economia soviética, recebendo, em troca, ajuda técnica e financeira.
Com a morte de Estaline (1953) e o início da "desestalinização" surgiram, nas democracias populares, algumas manifestações de resistência à hegemonia soviética. Krutchev aconselhou os partidos comunistas desses países a empreender reformas orientadas para a melhoria das condições de vida das populações.
Face à lentidão das reformas exigidas, em 1953 surgiram movimentos grevistas em Berlim-Leste e, em 1956, na Polónia e na Hungria operários e estudantes em greve desencadearam protestos e tumultos. Os grevistas pediam pão, liberdade e a partida das tropas soviéticas.
Os dirigentes contestados foram substituídos por novos líderes que se comprometeram a implementar as reformas exigidas pelos manifestantes. Com medo do enfraquecimento do mundo socialista, a URSS decidiu enviar tropas para esmagar as insurreições de Berlim e de Budapeste.
O sistema não apresentava sinais de mudança.
A partir de janeiro de 1968, Alexandre Dubcek ensaiou uma experiência de liberalização do regime na Checoslováquia e estreitou relações com o Ocidente. Em resposta a esta abertura "primavera de Praga", as tropas soviéticas invadiram a Checoslováquia (agosto de 1968) e impuseram o retorno aos métodos autoritários.
As tentativas de reformar o sistema político e económico socialista foram um evidente fracasso agravado pela crise petrolífera dos anos 70 do século XX. Mas, apesar do insucesso das reformas, os Governos procuraram apertar o controlo do regime através da censura e da repressão.
No início dos anos 80 surgiram as primeiras crises que verdadeiramente testaram a solidez do bloco de Leste. Na Polónia foi criado o sindicato "Solidariedade" (1980), independente do Partido Comunista, e em 1985 Mikhail Gorbachev iniciou na União Soviética um programa de reformas que se estendeu por todos os países comunistas.
A subida ao poder de Gorbachev significou uma maior abertura e liberalização, com o restabelecimento de liberdades e a repescagem de figuras anteriormente condenadas, a realização de eleições com vários candidatos e o afastamento de políticos corruptos. A partir de então registou-se um esforço no sentido de garantir o sucesso económico do país e no campo da política externa procurou-se uma aproximação ao Ocidente, nomeadamente aos EUA. Desde 1987, os russos estiveram presentes em diversos encontros com os dirigentes norte-americanos que possibilitaram a assinatura de acordos conducentes à redução de armamento e à redução bilateral das forças militares.
As aspirações democráticas dos países socialistas foram compreendidas, permitindo que, em 1989, acontecesse a "primavera de Leste", desencadeada por Gorbachev, que foi a figura central desta reestruturação (Perestroika) assente numa política de transparência (Glasnost). O seu esforço foi reconhecido pela atribuição do Prémio Nobel da Paz em 1990.
Desde janeiro de 1989 o Leste europeu foi arrebatado por fortes ventos de mudança. Os Governos comunistas deram lugar a regimes democráticos, que encetaram reformas económicas e reduziram as forças militares soviéticas nos países do Pacto de Varsóvia.
A queda do Muro de Berlim (a 9 de novembro de 1989) e a unificação alemã (a 3 de outubro de 1990) marcaram o fim de um ciclo iniciado no final da Segunda Guerra Mundial.
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