inveja

A inveja caracteriza-se por um sentimento negativo relativamente a algo que pertence a outra pessoa. O sujeito cobiça o alheio. O conceito de inveja é complexo, pois é um sentimento considerado abominável, o que acarreta relutância em se tomar consciência deste.
Em termos psicanalíticos, a inveja surge numa situação em que existe identificação com o objeto admirado. Admiramos e desejamos algo que uma pessoa possui. O sujeito reconhece no objeto valor. Acontece que na inveja, como sentimento negativo que é, o sujeito quer apoderar-se do que deseja, por exemplo, roubando, para estragar e poder assim alterar o valor do objeto desejado. O elemento invejoso adultera a qualidade do objeto querido. Só com a inveja de não conseguir suportar que outro alguém o possua. É uma forma de transformar algo de bom em mau e de impedir o outro de possuir aquilo e não como se poderia pensar, de simplesmente o invejoso estimar esse objeto que desejava. Ele quer-se apropriar do objeto com intenção de o destruir, para eliminar a tensão que o objeto exerce como fonte de inveja.
São Tomás de Aquino abordou a inveja, referindo que tem na sua composição a "tristeza em relação às coisas boas dos outros". Este sentimento, sempre condenado, é um dos pecados mais antigos da Humanidade e certamente o mais inconfessável, a contemplação da felicidade alheia. Freud foi o primeiro a colocar a inveja no centro da sua teoria da sexualidade feminina, com a inveja do pénis, que é um fenómeno primário.
Melanie Klein refere a inveja como fazendo parte da natureza do ser humano. É uma das emoções mais primárias e fundamentais do bebé. "A inveja surge a partir do sentimento de impotência, que se insere na direção da aspiração de um bem, que outro possui. A inveja surge somente onde a tentativa de se efetuar estas formas da conquista inclui a consciência do fracasso e da impotência. Na inveja, é suficiente que uma coisa seja possuída por um outro, para que isto pareça uma "privação". Isto acontece porque ao ver a coisa desejada, apropriamo-nos dela, em virtude de uma ilusão, de tal sorte que a possessão do outro, quando a descobrimos, nos parece uma força que nos priva, como se fosse uma "desapropriação". Melanie Klein diz que a inveja é uma expressão sádico-oral e sádico-anal de impulsos destrutivos, que opera desde o início da vida e tem uma base constitucional. É um sentimento de ira por outra pessoa possuir e usufruir de algo desejável o que faz a pessoa desejar retirá-lo ou estragá-lo. Voracidade, explica Klein, é uma ânsia impetuosa e insaciável que excede o que o sujeito necessita e o que o objeto tem vontade e capacidade de dar, cujo propósito é a introjeção destrutiva. A inveja produz sentimentos de culpa, antes de o indivíduo ser capaz de suportar a dor, gerando confusão entre a culpa depressiva e a perseguição esquizoparanóide.

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