Irradiação dos Celtas

Inicialmente os celtas estiveram unidos num tronco germânico-eslavo, do qual se separaram em época remota; depois uniram-se ao grupo greco-itálico, separando-se dos eslavos-germânicos na Ásia, provavelmente, e desprendendo-se do tronco greco-itálico na Europa quinze séculos antes da nossa era. Antes e depois de se desagregarem do referido segundo grupo ario, ocuparam grande parte da Europa Central.
Possidónio parece indicar que a Céltica ocupava as terras ao Norte, de Ponto até Escitia. Com os celtas lutaram os escitas e os germanos, empurrando os primeiros para Ocidente e os segundos para o Norte. No século VI apareceu a primeira indicação histórica de países ocupados pelos celtas, mencionando-se estabelecimentos destes nas costas do mar do Norte. A margem direita do Reno e as fontes do Danúbio foram os centros de onde partiram as suas primeiras emigrações, sendo a primeira para a Gália, durante o século VII a. C., ou um pouco antes, ocupando toda a Gália exceto a parte habitada pelos Aquitanos ibéricos, que englobavam os ligúricos e pequenas colónias helénicas. Um grupo de celtas, passando pela margem do Garona, chegou à Península Ibérica e outro passou para as Ilhas Britânicas, atravessando o Canal da Mancha. Na nossa Península, ao que parece, tiveram que lutar arduamente com os Iberos, com quem chegaram a fundir-se, originando Celtiberos, permanecendo também raças puras que se estenderam principalmente pelo Noroeste de Espanha. Povos celtas em Inglaterra foram os durmunios, no extremo ocidental da ilha; os cimky ou zimbros no sudoeste, que com os primeiros uniram a Gália ao invadir a Bretanha anglo-saxã, conservando ali o nome de bretões, aplicado também aos celtas da Grã-Bretanha: o ramo bretão na Escócia chegava até aos golfos de Solway ou Clyde e de Edimburgo ou Forth. Mais a norte viviam os Celtas caledónios, divididos em pictos e escotos; estes deram nome à ilha e ocuparam também a Irlanda.
Por volta de 600 a. C., penetrou em Itália uma emigração celta precedente das margens do Reno, no país do Main, passando pelas Gálias. Em 393 a. C. conquistaram Melfrum, na Itália setentrional, e em 390 a. C. sitiaram Clusium. Como datas célebres deste período podem citar-se o saque de Roma por Breno, a batalha de Alia, o saque de Delfos e a campanha dos gálatas na Ásia Menor. Em 186-179 a. C. novos celtas entraram na Ilíria, sendo afastados pelo romanos; outra vaga de emigração, também das margens do Reno, dirigiu-se para Itália ou para os países orientais dos Alpes, e outra para a Boémia, conquistando territórios sucessivamente à Trácia, Panónia, Caríntia, Carniola, Escitia (ou Cítia), Eslovénia, Croácia e Bósnia. Em 280 a. C. penetraram na Macedónia, Tessália e Grécia, em cujos países subsistem muitas palavras correspondentes à sua toponímia.
Todos os povos celtas foram sendo paulatinamente conquistados pelos romanos, completando-se este domínio no ano 70 da nossa era com a conquista da Gália.
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