Isaac Abravanel

Isaac Abravanel nasceu em Lisboa, em 1437, judeu, rabino, no reinado de D. Afonso V; exerceu ainda as funções de estadista e diplomata. Foi uma das figuras mais importantes do judaísmo em Portugal. No reinado de D. João II, por motivos políticos, abandonou o País em direção a Espanha, onde permaneceu nove anos (1484-93) ao serviço dos reis de Castela, tendo depois partido para Nápoles, servindo a família real até 1495. Passou ainda pela Apúlia para se instalar finalmente em Veneza em 1503, onde morreu em 1508. Foi o pai do conhecido filósofo Leão Hebreu (Judá Abravanel). Grande conhecedor do cristianismo, sobretudo de São Tomás de Aquino, cuja angelologia tem em grande consideração.
Na interpretação bíblica, Isaac Abravanel privilegia o sentido literal, embora admita também a exegese alegórica. No aceso debate sobre a importância da razão e da fé no conhecimento, dá preferência a esta última. A razão é necessária mas pode-se enganar, devendo, então, submeter-se à fé e, em última instância, à palavra revelada da Bíblia. Desta sua perspetiva decorre uma interpretação messiânica da história, que culmina na vitória do povo de Israel, eleito por Deus. A história, o tempo, só existe na sua ligação ao eterno, a Deus. Abravanel opõe-se ao averroísmo, negando a eternidade do mundo. Considera a criação do mundo um mistério a que a razão não pode aceder; só a graça divina pode conceder ao homem tal compreensão através da revelação.
Deus é, antes de tudo, puro transcendente, não necessita da criação ou da matéria, pois é independente dela. Contudo, Deus também é imanente, doutro modo seria impossível estabelecer qualquer relação entre o homem e Ele, nem mesmo a revelação ou a profecia seriam possíveis.
Fiel ao Génesis, Abravanel considera o homem o centro da criação; ele participa da natureza da matéria, mas também da natureza do espírito, por esta razão é dotado de uma alma inferior, animal e dependente da matéria, e outra superior, angelical e independente da matéria, ou seja, imortal. Esta característica torna o homem superior até ao anjo, pois é um ser livre e, simultaneamente, responsável perante Deus, sendo a única criatura que participa das duas naturezas e que deve por isso fazer cumprir a lei de Deus na natureza.
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