Itamar Franco

Político brasileiro, Itamar Augusto Cautiero Franco, nasceu a 28 de junho de 1930, em Salvador, e faleceu em São Paulo a 2 de julho de 2011.
Cresceu e fez a sua vida em Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. Ali foi eleito prefeito em 1966 e 1972. Projetou-se, mais tarde, em 1974, no cenário nacional, ao ser eleito senador por Minas Gerais. Assumiu a Presidência da República do Brasil, com carácter provisório, a 1 de outubro de 1992. A posse definitiva teve lugar a 29 de dezembro do mesmo ano.
Aquando da sua tomada de posse como presidente, os brasileiros estavam desiludidos e a classe política desacreditada. Fernando Collor de Mello, o antecessor de Itamar, tinha sido deposto, acusado de corrupção. Para além disso, os aspetos económico e social não eram animadores, devido a uma recessão prolongada e a uma inflação aguda e crónica. A confiança nas instituições estava seriamente comprometida. Na tomada de posse, Itamar Franco apelou à unidade nacional. Aplicou-se depois a proceder a uma ampla reforma administrativa, aumentando de 16 para 25 o número de pastas ministeriais e constituindo o seu Gabinete com deputados oriundos de 7 partidos. O novo Governo teve de enfrentar diversos problemas - entre eles, o dos índios Guajajaras, que, desesperados com as ameaças à sua própria sobrevivência, sequestraram brancos e os mantiveram reféns, para forçar o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, a negociar diretamente com eles.
No plano político, Itamar Franco pretendeu dar uma imagem abrangente do seu Governo, sendo o único presidente, nos últimos 40 anos, a ter conseguido o apoio de todos os partidos, nomeando, em janeiro, duas mulheres para duas pastas importantes: a economista Yeda Crusius, para titular da pasta do Planeamento, e a ex-prefeita de S. Paulo, Luíza Erundina, para a Administração Federal.
No plano económico, o grande problema era a inflação, cujo índice ascendia a 30%. O objetivo de Itamar Franco era diminuir aquele valor em 27 pontos percentuais. Assim, em junho anunciou um novo programa para controlar a inflacção "sem milagres e sem truques", denominado Plano de Ação Imediata, o sétimo desde 1986. O Plano tinha em vista a redução das despesas públicas em 6 milhões de dólares, até ao final de 1993, o combate à evasão fiscal e o reembolso dos 40 mil milhões de dólares que os estados e cidades deviam aos Cofres da União. Com este propósito, o presidente decidiu obrigar os titulares de cargos públicos a apresentarem as suas declarações de vencimentos. Anteriormente, o Governo criou uma nova moeda, o Cruzeiro Real, que equivalia a mil cruzeiros.
Desta forma, com a presidência de Itamar Franco, que se prolongou até finais de 1994, as contas públicas aproximaram-se do equilíbrio, a negociação da dívida externa chegou a bom termo, a inflação foi drasticamente reduzida, a moeda nacional aumentou o seu poder aquisitivo, a economia foi relançada e os brasileiros voltam a ter esperança e a acreditar no país e nas instituições. Itamar Franco deixou clara, na sociedade brasileira, a sua imagem de homem honrado, o seu extremo sentido de responsabilidade e o seu respeito pelo povo e seus problemas.
Depois de deixar a Presidência (sucedeu-lhe no cargo Fernando Henrique Cardoso), Franco desempenhou ainda as funções de embaixador do seu país em Portugal, mas por pouco tempo, optando por deixar a vida pública.
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