Jack Lemmon

Ator norte-americano, John Uhler Lemmon III nasceu no dia 8 de fevereiro de 1925, num elevador de um hospital da cidade de Boston. Pertencia a uma família rica que não via com bons olhos a sua opção por estudar Artes Dramáticas em Harvard. Depois de se ter alistado na Marinha e de ter combatido na Segunda Guerra Mundial, iniciou a sua carreira artística em programas radiofónicos e nos palcos da Broadway. Em 1954, estreia-se no cinema, ao lado da atriz Judy Holliday, num filme dirigido por George Cukor - It Should Happen to You (Uma Rapariga sem Nome). O seu sóbrio desempenho obriga Henry Cohn, patrão dos estúdios Columbia, a propor-lhe um contrato de dez anos. Pouco depois, a sua personagem de Frank Pulver, um jovem oficial obcecado por mulheres no filme Mister Roberts (1955), de John Ford, ofuscou o desempenho de atores mais credenciados à altura, como Henry Fonda e James Cagney. A Academia não ficou indiferente, atribuindo-lhe o Óscar para Melhor Ator Secundário. Depois de entrar em alguns filmes musicais menores, o realizador Billy Wilder colocou-o ao lado de Tony Curtis e Marilyn Monroe na fantástica comédia Some Like It Hot (Quanto Mais Quente Melhor, 1959), no papel de Jerry, um contrabaixista que se vê obrigado a disfarçar-se de mulher para escapar à perseguição de um grupo de mafiosos. No ano seguinte, o mesmo realizador convida-o a protagonizar The Apartment (O Apartamento), onde desempenhou um agente de seguros que empresta a sua casa ao patrão (Fred MacMurray) para este manter encontros amorosos com a sua amante (Shirley MacLaine). Os dois papéis anteriores mereceram-lhe duas nomeações para o Óscar de Melhor Ator. A parceria com Wilder manteve-se durante mais cinco filmes: Irma La Douce (1963), The Fortune Cookie (Como Ganhar um Milhão, 1966), Avanti (Amor à Italiana, 1972), The Front Page (A Primeira Página, 1974) e Buddy, Buddy (Os Amigos da Onça, 1981). Lemmon libertou-se da sua faceta de ator cómico com um magistral desempenho em Days of Wine and Roses (Escravo do Vício, 1962), na pele de Joe Clay, um alcoólico inveterado que conduz a sua recém-esposa (Lee Remick) ao vício. A sua atuação valeu-lhe mais uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator. Foi com um filme melodramático, Save the Tiger (Sonhos do Passado, 1973), no papel de um industrial em degradação moral, que Lemmon conseguiu mais um Óscar, desta vez para Melhor Ator. Os prémios sucederam-se: por duas vezes foi galardoado com o Prémio de Melhor Ator no Festival de Cannes pela sua participação em thrillers políticos - o leal empregado de uma central nuclear, em The China Sindrome (O Síndroma da China, 1979) e o pai desesperado à procura do seu filho raptado no Chile, em Missing (Desaparecido, 1982). Valeram-lhe ambos também a nomeação para o Óscar de Melhor Ator. Pelo meio, teve uma participação em Tribute (Homenagem, 1980), desempenhando um canceroso que busca a reconciliação com o seu filho desavindo, papel que lhe valeu mais uma nomeação falhada. Em 1992, recebe o Prémio de Melhor Ator do Festival de Veneza pelo desempenho em Glengarry Glen Ross (Sucesso a Qualquer Preço). Jack Lemmon experimentou também uma carreira de realizador, dirigindo o seu velho amigo Walter Matthau em Kotch (Antes que chegue o inverno, 1971). É ao lado do seu amigo que filma a última grande comédia da sua carreira, Grumpy Old Men (Dois Novos Rabugentos, 1993). Morre em Los Angeles, a 27 de junho de 2001, vítima de cancro, praticamente um ano depois de Matthau. É, depois de Jack Nicholson e de Laurence Olivier, o ator com maior número de nomeações para Óscar.
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