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Jack Palance
Ator norte-americano, Vladimir Palanuik de seu verdadeiro nome, nasceu a 18 de fevereiro de 1919 na pequena cidade de Lattimer Mines, no estado da Pensilvânia, e morreu a 10 de novembro de 2006, em Montecito, na Califórnia. Filho de um mineiro ucraniano, Jack teve uma infância difícil, trabalhando nas minas desde tenra idade. Aos 18 anos, tornou-se pugilista profissional, ocupação que mantinha quando foi recrutado pela Força Aérea americana para lutar pelas hostes aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943, o bombardeiro B-17 que pilotava despenhou-se em solo inglês, causando-lhe graves queimaduras faciais, que o obrigaram a fazer uma cirurgia reconstrutiva. Findo o conflito, resolveu ter lições de interpretação e dedicou-se ao teatro amador, adotando o nome artístico de Walter Jack Palance.
Viajou para Hollywood, onde, a convite de Elia Kazan, desempenhou um pequeno papel no filme Panic in the Streets (Pânico nas Ruas, 1950). A sua prestação de criminoso fugitivo que padece de peste bubónica mereceu os elogios da crítica especializada. Dois anos depois, arrecadou a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Ator Secundário pela sua prestação em Sudden Fear (Medo Súbito, 1952), onde incorporou Lester Blaine, um ator que tenta matar a sua esposa (Joan Crawford). Repetiu a nomeação pelo seu mítico papel de pistoleiro contratado no western Shane (1953). A partir daí, os papéis de Palance em Hollywood começaram a estereotipar-se, sendo que os produtores lhe reservavam quase sempre o papel de vilão, em The Silver Chalice (O Cálice de Prata, 1954), Sign of the Pagan (Átila, o Huno, 1955) e I Died a Thousand Times (Morri Mil Vezes, 1955).
Foi um dos primeiros vencedores do prémio Emmy pela sua prestação de pugilista que se vê enredado numa rede de corrupção e decadência em Requiem for a Heavyweight (1956) exibido no canal CBS. Em inícios da década de 60, devido à falta de oportunidades em Hollywood, Palance radicou-se em Itália, onde participou em diversos pepluns como The Barbarians (Os Bárbaros, 1960), Il Giudizio Universale (1960) e I Mongoli (Os Mongóis, 1961), para além de uma pequena participação no filme bíblico Barabbas (Barrabás, 1962).
Durante a sua estadia na Europa, o seu papel mais memorável foi em Le Mépris (O Desprezo, 1963), de Jean-Luc Godard, onde desempenhou Jeremy Prokosch, um produtor cinematográfico com poucos escrúpulos. Regressou em 1963 aos EUA para trabalhar em televisão na série The Greatest Show on Earth (1963) e participou em alguns western de sucesso como The Professionals (Os Profissionais, 1966) e The Desperados (1969), para além de ter recriado Fidel Castro em Che! (1969). Na década de 70, trabalhou essencialmente em televisão e viajou pela Espanha e Itália para trabalhar em westerns-spaghetti e filmes de gangsters que nada ajudaram ao seu prestígio. Saiu do esquecimento com um bom desempenho na coprodução germano-americana Out of Rosenheim (Café Bagdad, 1988). Seguiram-se pequenas prestações em filmes de sucesso como Young Guns (Jovens Pistoleiros, 1988) e Batman (1989). Mas foi na comédia que Palance assinou o seu desempenho mais bem sucedido, em City Slickers (A Vida, o Amor e... as Vacas, 1991), no papel de Curly, um cowboy que luta contra o envelhecimento. O papel valeu-lhe o Óscar para Melhor Ator Secundário, numa noite que ficaria nos anais das cerimónias da Academia pois Palance, após proferir o seu discurso, fez uma série de flexões de braços para provar que ainda gozava de uma forma física invejável aos 72 anos.
Desde então, trabalhou sobretudo para televisão, participando em numerosos telefilmes ou emprestando a sua voz para documentários.
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