Januário Godinho

Arquiteto português nascido em 1910, em Ovar, e falecido em 1990. Estudou na ESBAP - Escola Superior de Belas Artes do Porto, entre 1925 e 1930, tendo obtido o diploma com o estudo para o Hotel do Parque-Vidago em 1941, onde começa a esboçar algumas das preocupações que o perseguem ao longo da sua carreira, como a leitura e interpretação do lugar, o ritual dos acessos, a relação entre paisagem e espaço interior e a criteriosa escolha de materiais.
Inicia o seu período de estágio na década de 30, em colaboração com o arquiteto portuense Rogério de Azevedo, participando ativamente no desenvolvimento do seu trabalho, entre o modernismo e a aproximação que faz ao regionalismo. Durante este período projetou uma das suas mais importantes obras: o Mercado do Peixe de Massarelos, onde um processo de eficaz depuração é capaz de estabelecer uma síntese entre as referências, tenuemente marcadas pela Art Déco e o relacionamento crítico e interpretativo do neoplasticismo holandês.
Ao longo do seu percurso profissional é notório o relacionamento cada vez mais distanciado de alguns modelos dominantes na Europa Central, sendo evidente um sentido de afirmação da arquitetura como um problema de cruzamento entre modernidade e contemporaneidade, tradição e sítio, afirmando-se numa lógica de contextualização disciplinar, levando a um regionalismo crítico antecipado.
As suas principais obras são: o Mercado do Peixe de Massarelos, Porto (1932); as pousadas realizadas para a Hidroelétrica do Cávado (1949-1959), para Vila Nova, Salamonde, Sidroz e Pisões; Casa Afonso Barbosa, Famalicão (1941); a Sede da Hidroelétrica, Porto (1953); os palácios da Justiça de Tomar (1951), de Vila do Conde (1953), de Ovar (1960) e de Lisboa (1960), em coautoria com João Andersen; o Edifício Calouste Gulbenkian no LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa (1961), igualmente em coautoria com João Andersen, e os Planos de Urbanização de Coimbra (1968) e de Amarante (1965).
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