Japão

Geografia
País insular da Ásia Oriental. Situado ao largo da costa oriental da Ásia, o Japão é um arquipélago de onde se destacam quatro ilhas: Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu. O arquipélago é banhado pelo mar de Okhotsk,a norte, pelo oceano Pacífico, a leste e a sul, pelo mar da China Oriental, a sudoeste, e pelo mar do Japão, a oeste.
As principais cidades são Tóquio, a capital, com uma população de 11 772 000 habitantes (1995), Yokohama (3 307 000 hab.), Osaca (2 602 000 hab.), Nagoia (2 152 000 hab.), Sapporo (1 757 000 hab.), Quioto (1 464 000 hab.), Kobe (1 424 000 hab.), Fukuoka (1 285 000 hab.), Kawasaki (1 203 000 hab.), Hiroxima (1 109 000 hab.) e Kita-Kyushu (1 020 000 hab.). O Japão caracteriza-se pelo seu relevo irregular, com predomínio das montanhas, que se orientam, de norte para sul, na área central das diferentes ilhas. Existem numerosos vulcões (54 em atividade) devido ao facto de o Japão se localizar numa das zonas geologicamente mais ativas da Terra, o que está, também, na origem de numerosos sismos e maremotos (tsunamis) que ocorrem no país.

Clima
As diferenças de latitude, a influência das correntes marítimas, o regime de ventos e a altitude e orientação do relevo contribuem para a diversidade climática do Japão. No Norte, sob influência da corrente fria Oia-Sivo, o clima é frio, com invernos muito rigorosos. No Sudeste, sob a ação da corrente quente Curo-Sivo, o clima é subtropical. A ação das monções é também mais forte na parte central e meridional do arquipélago, pelo que nestas áreas, a precipitação é elevada nos meses mais quentes.

Economia
O Japão tem uma das mais desenvolvidas e prósperas economias do mundo, em grande parte graças ao desempenho do país ao nível da produção industrial e do setor financeiro, fazendo com que o PIB japonês seja o segundo maior do mundo.
A indústria japonesa é responsável por 40% do PIB, empregando 34% da população. O sucesso deste setor assenta na liderança obtida nas indústrias naval, automóvel, de eletrodomésticos, de fibras sintéticas e de componentes eletrónicos, liderança essa suportada pelo constante avanço da tecnologia japonesa. Contudo, a concorrência estrangeira tem obrigado o setor a reestruturar-se e relocalizar-se, em busca de mão de obra mais barata. O setor terciário é aquele que mais peso tem na economia nipónica, já que contribui com 58% para o PIB (em 1994), enquanto que os rendimentos provenientes do setor primário significam apenas 2% do PIB, tal como acontece na maioria dos países muito industrializados. Apesar da reduzida área cultivada, o Japão desenvolveu modernas técnicas agrícolas, nomeadamente pequenos motocultivadores, que permitiram a libertação de mão de obra, a par de uma elevada rendibilidade. O arroz continua a ser uma produção agrícola importante mas a diversificação das produções tem sido uma preocupação constante, a fim de diminuir as importações decorrentes da alteração dos hábitos alimentares também fomentada pelo Governo. A elevada percentagem da população urbana (78% em 1995) estimulou a intensificação da agricultura e da pecuária. A produção agrícola em estufas é um dos aspetos mais expressivos da mudança no setor agrário. Por outro lado, a atividade piscatória é bastante rentável, não só pela moderna frota disponível, mas também pela existência de uma avançada e bem estruturada indústria pesqueira que opera sobretudo fora das águas territoriais japonesas, o que poderá, no futuro, acarretar problemas para o setor. Os principais parceiros comerciais do Japão são os Estados Unidos da América, a China, a Coreia do Sul e Taiwan.

População
O Japão tem uma elevada densidade populacional (337,23 hab./km2), já que a área do país, com apenas 377 835 km2, é ocupada por 127 463 611 habitantes.
As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 9,37%o e 9,16%o. A esperança média de vida é de 81,25 anos. Estima-se que, em 2025, a população diminua para 120 235 000 habitantes. O Japão é um país etnicamente homogéneo, pois os japoneses correspondem a 99% da população. O xintoísmo (51%) e o budismo (38%) são as religiões mais representativas. A língua oficial é o japonês.

História
Apesar de haver vestígios de presença humana característicos do Paleolítico (10 000 - 30 000), o Japão, como Estado unificado, nasceu no século V d. C., sob o domínio da corte de Yamato (embora a tradição japonesa afirme que tal aconteceu no ano de 660 a. C., através da ascensão de Jimmu a imperador). É durante a governação desta corte que o Japão consegue controlar parte da Coreia, porta de entrada para as influências do Budismo e da cultura e escrita chinesa na sociedade japonesa que, já no século IX, iniciava a sua adaptação própria destes aspetos ao mesmo tempo que se desligava de tais influências. Esta data coincide com outro fenómeno sociopolítico japonês, que se traduz pelo crescendo de importância de famílias guerreiras radicadas na província, assumindo uma autoridade política exclusiva ao mesmo tempo que subordinavam os diferentes imperadores. Este quadro só seria dissolvido em 1867, graças ao descontentamento popular provocado pela política de isolamento adotada pelo xogunato (período de governação de uma dada família) Tokugawa desde que tomou o poder em 1607, perseguindo, não só todos os estrangeiros entretanto estabelecidos no país desde a chegada dos portugueses (os primeiros europeus a chegarem ao Japão), como os próprios naturais que se converteram ao cristianismo.
O regresso do poder imperial marcou o início da era moderna japonesa, fruto da visão de uma classe emergente de jovens líderes políticos que não se coibiram de enviar missões de estudo para os países ocidentais mais desenvolvidos, tornando inevitável o desenvolvimento da economia nipónica. Contudo, este crescimento contribui para alimentar algumas pretensões imperialistas, bem demonstradas anteriormente, não só nas guerras que opuseram o Japão à China (1894-95) e à Rússia (1904-05), como também pela anexação da Coreia (1910). A crise económica dos anos 30 criou uma conjuntura favorável ao aprofundamento desta política militarista, que conduziu, em 1931, à conquista da Manchúria; mais tarde, à formação do eixo Tóquio-Berlim através da aliança feita com a Alemanha nazi; e finalmente, em 1941, ao ataque às forças norte-americanas estacionadas nas Filipinas e Hawai e à invasão das colónias europeias no sudeste da Ásia. Com a derrota nipónica na Segunda Guerra Mundial (culminada com as explosões de duas bombas atómicas lançadas pelos norte-americanos sobre as cidades de Hiroxima e Nagasáqui) veio a ocupação do país pelos Estados Unidos (até 1952), durante a qual foi promulgada uma nova constituição que concedia ao Japão o estatuto político de monarquia constitucional. A partir de então registou-se uma recuperação económica, a todos os níveis surpreendente, que transformou o Japão num país em constante desenvolvimento que apenas pontualmente é desacelerado. Isso como aconteceu na década de 70, aquando da crise de petróleo (lembre-se que o Japão, parco em recursos naturais, se viu sempre obrigado a importar petróleo como fonte de energia), e, mais recentemente, no início da década de 90, com causas relacionadas, não só, com a recessão mundial, como também com a instabilidade política então verificada e que se prolongou até 29 de junho de 1994, altura em que o líder do Partido Social-Democrata Japonês Tomiichi Murayam foi eleito primeiro-ministro, sucedendo a Morihiro Hosokawa e Tsutomo Hata eleitos também nesse mesmo ano. O ano de 1994 ficou marcado pela abertura do mercado japonês aos produtos estrangeiros, reduzindo assim as restrições protecionistas que durante anos caracterizaram a economia nipónica. Esta alteração teve origem nas inúmeras pressões internacionais, exercidas, sobretudo, pelos Estados Unidos, que têm para com o Japão o seu maior défice comercial.
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