jardim (simbologia)

A simbologia mais imediata relacionada com o jardim é o paraíso, o chamado Jardim do Éden, que é, em si, uma totalidade cósmica divina perfeita. Este é o sentido dos jardins romanos, persas, bíblicos, árabes ou orientais, já que todos eles simbolizam a presença divina na terra e uma representação do cosmos em miniatura.
A simbologia do jardim do paraíso é uma das mais antigas e está associada à criação do mundo, mencionado no Génesis bíblico como tendo sido cultivado por Adão. O facto de no início o mundo ter surgido em forma de jardim, também representa o domínio e a importância do mundo vegetal e natureza primordial do ser humano. Os jardins árabes e persas são representações do paraíso e da harmonia cósmica e do mundo em miniatura. Os jardins do Oriente, para além desta simbologia, associam-lhe, através da vivência do jardim por parte dos seres humanos, o regresso à natureza original e à pureza espiritual. Esta conotação com o Éden é sobretudo forte nos jardins interiores, quer sejam os jardins dos claustros dos mosteiros cristãos ou os jardins das casas árabes. No Islão, Alá é também chamado de Jardineiro e São João da Cruz dizia que Deus era um jardim. Os Egípcios, para além de cultivarem jardins, pintavam-nos nas suas casas e palácios e, entre os Gregos, era famoso o Jardim das Hespérides onde Zeus se casou com Hera, sendo um forte símbolo de fertilidade. Os Romanos construíram jardins muito elaborados misturados com construções de arcos, fontes e estátuas, com avenidas retas e quadrados revelando a sua cultura dominadora da vontade humana sobre as leis da Natureza. Os Jardins Suspensos da Babilónia eram considerados uma das maravilhas do mundo antigo. Tanto na antiga Pérsia como no atual Irão os jardins são fonte de inspiração poética e são preciosos como tesouros, comparados às ilhas e aos oásis. Esse culto foi bem demonstrado nos tapetes persas chamados de jardins que, como os jardins reais, representavam formas retilíneas, numa representação do universo dividido em quatro partes que por vezes apresentavam uma montanha no centro. Esta disposição também estava presente nos jardins indianos de influência mongol. Os jardins eram também uma espécie de sonho do mundo e alguns príncipes mandavam construir árvores de prata e de ouro em tamanho real com frutos em pedras preciosas. O Alcorão compara a identificação do ser com a fonte divina com o paraíso e as suas plantas e no Éden islâmico brotam fontes de água, leite e mel, com iguarias servidas por efebos, com joias, roupas luxuosas e esposas virgens, as Huris. No Cântico dos Cânticos, o jardim é um símbolo da mulher e fonte de todas as delícias. Na análise dos sonhos, o jardim traduz um desejo, uma riqueza interior e a expressão sexual do corpo feminino.
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