Jean Cavaillès

Filósofo e matemático francês nascido a 15 de maio de 1903, em Saint-Maixent-l'Ecole.
Depois dos estudos primários e secundários em Mont-de-Marsan e em Bordéus, preparou-se para o concurso de ingresso na Escola Normal Superior, onde entrou em 1923. Tornou-se agregado em Filosofia no ano de 1927 e licenciou-se também em Matemática.
Na época da invasão nazi em França, Cavaillès foi um dos fundadores e dirigentes dos movimentos para a libertação da zona sul e da zona norte e pioneiro da Resistência francesa no regime de Vichy e durante a ocupação nazi. Em 1927 cumpriu o serviço militar e em 1939 foi mobilizado como tenente de infantaria do 43.° Regimento da Infantaria Colonial. Feito prisioneiro a 11 de junho de 1940, evadiu-se da Bélgica no fim do mês de julho e voltou a Clermont-Ferrand onde a Faculdade de Estrasburgo está sediada.
Doutor de Letras em 1938, em Clermont-Ferrand, ele retorna ao ensino normal como Mestre de Conferências, de Filosofia Geral e Lógica na Faculdade de Letras de Estrasburgo. No fim de dezembro de 1940, reencontra Emmanuel d'Astier de la Vigerie, com quem uns meses mais tarde funda o movimento de resistência jornalístico "Libération".
Nomeado professor na Universidade de Sorbonne em Paris, em outubro de 1941, adere à "Libertação Norte" e integra o Comité de Direção do movimento.
Favorável a toda a ação militar, é preso pela Polícia francesa em setembro de 1942 e levado para o campo de Saint-Paul d'Eyjeaux, de onde se evade em dezembro de 1942.
Tendo que deixar de exercer a profissão de professor, Cavaillès entra na clandestinidade, mas procura sempre os meios necessários para continuar a sua luta política.
Em 15 de abril de 1943, pede demissão do Comité de Direção do "Libération", para se poder consagrar inteiramente à ação direta. Encarrega-se da sabotagem das revistas da Kriegsmarine na Bretanha e da inspeção às instalações alemãs de rádio.
Traído por um dos seus agentes de ligação, é preso a 28 de outubro de 1943 em Paris, pelos alemães. Torturado e encarcerado em Fresnes e depois em Compiègne, é transferido para a cidade de Arras e condenado à morte e fuzilado a 17 de fevereiro de 1944, pela Gestapo. Enterrado em Arras, sob uma cruz com a menção de "desconhecido n.° 5", o seu corpo é exumado em 1946 e levado para a cripta da Sorbonne em Paris.
A sua obra centra-se primordialmente numa filosofia do conceito e sobre uma doutrina da ciência e particularmente da matemática. Interessou-se pelos movimentos religiosos da época pré-guerra na Alemanha.
A unidade do pensamento de Cavaillès centra-se numa filosofia das matemáticas. Cavaillès, líder da Resistência, transformou-se num herói para todos os franceses pela sua integridade e persistência de ideias.
É considerado, também, o maior filósofo das ciências e uma das mais belas figuras do pensamento de todos os tempos.
Publicou, entre outros: Remarques sur la formation de la théorie abstraite des ensembles. Étude historique et critique, em 1938, Transfini et continu, em 1947, Mathématique et formalisme, em 1949, e Philosophie et mathématiques, em 1962.
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