João da Ega

Personagem de Os Maias, de Eça de Queirós. Licenciado em Direito, destacou-se em Coimbra tanto pela rebeldia como pelo sentimentalismo e pelos seus amores, tornando-se um amigo inseparável de Carlos da Maia. Dependente economicamente da mesada da mãe, uma rica fidalga de Celorico de Basto, vive parasitariamente à sombra de Carlos. Trata-se de um fidalgo rico de província, audacioso e com fama de ser "o maior ateu, o maior demagogo que jamais aparecera nas sociedades humanas". Sempre pronto a escandalizar, é capaz de defender a escravatura ou a revolução, só para chocar os interlocutores. Gosta de se fazer notar e de ser lisonjeado nos círculos que frequenta. De entusiasmo fácil, arrebatado e violento, inicia vários projetos, como a criação de uma revista que revolucionasse o ambiente cultural português e um livro intitulado As memórias de um Átomo, que nunca foram concluídos. Rende-se a uma intriga amorosa romântica e banal, envolvendo-se com a mulher do banqueiro Cohen. Do ponto de vista da narrativa, cabe-lhe um papel importante na evolução da intriga trágica, pois é ele quem toma conhecimento da existência de documentos que provam o parentesco de Carlos e Maria Eduarda. Quer pelo seu retrato físico ("a sua figura esgrouviada e seca, os pelos do bigode arrebitados sob o nariz adunco, um quadrado de vidro entalado no olho direito"), quer pela sua postura crítica e de certa forma distanciada de permanente acusador dos males do país, mas estando ele próprio não isento de ridículos, quer pela sua intervenção em defesa do realismo-naturalismo, já para não invocar a similitude dos nomes, Ega tem sido visto em muitos aspetos como uma espécie de alter-ego de Eça.
Como referenciar: João da Ega in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-07 17:12:39]. Disponível na Internet: