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João de Melo (Angola)
Poeta e jornalista angolano, Aníbal João da Silva Melo nasceu a 5 de setembro de 1955 em Luanda, Angola.
Feitos os primeiros níveis de ensino no seu país, estudou Direito na Universidade de Coimbra e, em Luanda, na Universidade Agostinho Neto. Contudo, não concluindo este curso, licenciou-se em Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde tirou o mestrado em Comunicação e Cultura.
Regressado a Luanda, já como jornalista profissional, ingressou na Rádio Nacional de Angola (RNA) e assumiu a direção de diversos meios de Comunicação Social estatais, nomeadamente a "Agência Angola - Press Angop", o Jornal de Angola e o semanário privado Correio da Semana.
Homem ligado à atividade literária e artística, foi membro fundador da União de Escritores Angolanos. Nesta condição, foi secretário-geral entre 1992 e 1996 e Presidente da Comissão Diretiva entre 1996 e 1999.
Como outros escritores angolanos, nomeadamente Jofre Rocha, Jorge Macedo, Garcia Bires e Adriano Botelho de Vasconcelos, investiu na autenticidade afro-angolana, através do empenhamento ideológico-político.
Começando por se centrar nos temas tradicionais do imaginário africano, cantando depois o amor e os ideais da revolução, o autor João de Melo vai constituir-se como o primeiro poeta africano de Língua Portuguesa a "experimentar a poesia pictórico-visual", conforme textos dos seus livros O Caçador de Nuvens, de 1993 e Limites e Redundâncias. Caracterizada pela mistura de um realismo, aliás fortemente irónico e desvastador, com algumas "formações" surrealistas e experimentalistas, a sua poiesis, simultaneamente eco da voz de um sujeito militante e do coração de um sujeito lírico, surge então híbrida, tornando-se um marco das novas gerações literárias. Manifestando uma grande preocupação formal e linguística, os seus textos estabelecem uma relação fundamental entre a "ética e a estética".
Na verdade, o autor, assim como muitos outros das décadas de 80 e 90, assume uma postura de denúncia da corrupção e das contradições do poder, através de um sujeito de enunciação que, desiludido e desencantado com os seus referentes revolucionários, abandona o empenhado "canto social coletivo". Começando a percecionar a "crise das utopias" que vai enformar uma série de interrogações, estes jovens poetas são veículos de muitas angústias existenciais e geracionais.
Profundamente angolana, a poesia de João de Melo intertextualiza com a de outros poetas do mundo, nomeadamente Álvaro de Campos, Drummond de Andrade e Paulo Leminski.
Muito diversificada, a sua temática assenta nuclearmente no Mar e na Mulher, dois topus que se cruzam enquanto configuradores do erotismo: "Navego à vontade no teu dongo/aliso-lhe como se fosse uma mulher/?"
O tema da mulher e a sua relação com o mar aparece em João de Melo associado à figura mítica de "Kianda" (sereia), enquanto símbolo da busca da angolanidade: " /ah amada o azul terrível do mar/está todo nos teus olhos negros/eu oiço o grito da Kianda/e ximbico sem parar sem parar."
Um dos grandes nomes representativos da "res" poética, em Angola, é autor dos seguintes títulos de poesia: Definição (1985); Fabulema (1986); Poemas Angolanos (1989);Tanto Amor (1989); Canção do Nosso Tempo (1991); O Caçador de Nuvens (1993); Limites e Redundâncias,1991 (1997); Jornalismo e Política. Estudo (1991); Imitação de Sartre e Simone de Beauvoir.Contos (1998).
Como referenciar: João de Melo (Angola) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-08-20 18:26:29]. Disponível na Internet: