João Franco Barreto

Polifacetado escritor lisboeta do século XVII, filho de Maria da Costa Barreto e de Bernardo Franco, nasceu em 1600. Estudou no Colégio de Santo Antão e em 1624 participou na expedição enviada à Baía para a libertar do domínio holandês, tendo redigido um relato (denominado Relação) desta mesma viagem.
Estudou depois Direito Canónico na Universidade de Coimbra e em 1631 escreveu uma obra que os seus contemporâneos elogiaram profusamente: Cyparisso. Fabula Mythologica, escrita em oitavas.
Em 1641 deslocou-se a França, numa embaixada a Luís XIII, com o monteiro-mor D. Francisco de Melo, depois de se ter inscrito no curso de Cânones na Universidade de Coimbra em 1638 e de ter dado aulas em 1640 aos filhos do dito monteiro-mor. Mais uma vez, esta viagem foi pretexto para escrever os acontecimentos vividos, obra (também chamada Relação) que foi publicada em 1642 juntamente com o Catálogo dos reis e rainhas de França desde Pharamond até Luiz XIII. Como as Gazetas de França e as Relações estavam a ser mal traduzidas em Portugal, neste mesmo ano D. João IV concedeu-lhe a prerrogativa de ser somente ele a poder traduzir e publicar estas obras. Tornou-se prior de Redondo, depois de ter casado com uma senhora local, ter tido filhos e enviuvado. Em 1648 assumiu o cargo de vigário do Barreiro.
A data da sua morte é ignorada, mas como a última obra publicada pelo próprio (a tradução de Flos Sanctorum) foi em 1674 terá falecido em data posterior.
Algumas das obras originais e traduzidas deste autor são a História dos cardiais portugueses, Ortografia da Língua Portuguesa (1671), História eclesiástica da cidade de Évora, Biblioteca portuguesa, Discurso apologético sôbre a visão do Indo e Ganges que o grande Luiz da Camões representou em o canto IV dos Lusíadas a el-rei D. Manuel (publicado somente em 1881), Micrologia Camoniana (1672), Flos Sactorum, de Frei Pedro Ribadaneira, Odes, de Horácio, e Eneida, de Virgílio (1664).
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