João José Cochofel

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Coimbra. Poeta, ensaísta, crítico literário e musical, foi editado pela coletânea de poesia Novo Cancioneiro e colaborou em publicações como Cadernos de Juventude, Altitude, Seara Nova, O Diabo, Sol Nascente, Vértice, órgãos privilegiados para a divulgação de textos literários e programáticos filiados numa estética neorrealista. Dirigiu a Gazeta Musical e de Todas as Artes, entre 1958 e 1962, e o Grande Dicionário da Literatura Portuguesa e da Teoria Literária, projeto deixado incompleto pelo seu falecimento. A reflexão teórica sobre a criação literária, no âmbito da afirmação do neorrealismo, disseminada por várias críticas e crónicas, encontra em Iniciação Estética (1958) um momento de síntese, defendendo aí que na apreensão estética há uma "comunicabilidade imediata, sem conceito", possuindo a palavra plasticidade suficiente para alcançar "as subtis correspondências da sensibilidade e da afetividade". Da intervenção crítica, saliente-se a polémica com António José Saraiva, nos anos 50, nas páginas de Vértice, onde defendeu, sem pôr em causa o seu alcance pedagógico e sem tocar o formalismo, que a criação artística possui uma técnica específica, que a distingue de outras formas de expressão, e sem o conhecimento da qual não é possível compreendê-la totalmente. A sua poesia tem merecido, pelo seu depuramento, pelos conflitos íntimos que exprime, pela sua forma simultaneamente concreta e alusiva, a atenção da melhor crítica. Para Eduardo Lourenço (Sentido e Forma da Poesia Neorrealista, 1983), a obra poética de Cochofel oferece uma expressão "altamente mediadora, lugar de equilíbrio precário mas efetivo da esfera pessoal e coletiva, a uma e outra oferecendo um território comum, esse horizonte de imanência".
Como referenciar: João José Cochofel in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-04 15:43:22]. Disponível na Internet: