João Xavier de Matos

Poeta português, de origem plebeia, nascido entre 1730 e 1735, numa povoação ribeirinha do Tejo, e falecido em 1789, em Vila de Frades, estudou Direito em Coimbra, mas não chegou a terminar o curso. Uma estadia no Porto, entre 1762 e 1770, permitiu-lhe o ingresso na Arcádia Portuense, onde tomou o nome pastoril de Albano Eritreu. Nesta cidade, apaixonou-se por uma freira e conheceu Paulino Cabral, abade de Jazente.Este autor tornou-se popular com a écloga Albano e Damiana, que foi cantada pelos cegos de Lisboa. Era poeta a soldo, vivendo inúmeros trabalhos, erros, doenças, "exílios" e pobreza, chegando mesmo a ser preso, em 1763, por agressão a um padre causada pelos seus amores conventuais. Conseguiu, no entanto, a proteção do marquês de Nisa, a quem agradeceu no segundo tomo das suas Rimas. Após a publicação dos três tomos desta última obra, em 1783, Xavier de Matos encontrou novo mecenas em D. Manuel do Cenáculo, que conhecera por influência do marquês de Nisa.Sob o ponto de vista ideológico, Albano Eritreu é um espírito do século das Luzes, apesar da sua dependência áulica, por alguns dos mais belos sonetos do Neoclassicismo que escreveu, que jubilam de repousante alacridade, de harmonia e de rigor estrutural. Foi conhecido pela sua crítica à nobreza de sangue e pela sua denúncia como desrespeitador da religião.Todavia, manifesta-se ainda neste poeta um certo gosto quinhentista espelhado na sua admiração por Camões. Dele sofreu influências notórias que se refletiram no seu estilo que respeitava os moldes clássicos convencionais, na forma como encarecia a mulher e na expressão do amor infeliz e das injúrias do destino. Aprendeu ainda do grande mestre clássico a revelação da vida interior, pelo que escreveu poesia autobiográfica e confidencial. A sua obra denota ainda um certo sabor romântico, de profunda melancolia ou desespero com um enorme poder de comoção, em certos remates de soneto, como os que transcrevemos seguidamente - "Se eu me vira num bosque, onde não desse", "Pôs-se o Sol; como já na sombra feia", "Que triste, que profunda soledade" (todos do t. I de Rimas). Ressaltando alguns topos sentimentais e tenebrosos, em bucolismos que ainda hoje admiram pela sua doçura rítmica, João Xavier de Matos sentiu, sem dúvida, o Romantismo que despontava já na sua época.
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