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Jofre Rocha
Escritor, poeta e jornalista angolano, Jofre Rocha, pseudónimo literário de Roberto António Victor Francisco de Almeida, nasceu em fevereiro de 1941, em Kaxikana, município de Icolo e Bengo. Mais tarde, foi viver para Luanda, onde fez a escola primária e parte dos estudos secundários.
Em junho de 1961, quatro meses depois da marcante revolta dos presos da cadeia de Luanda (4 de fevereiro de 1961) - que vai desencadear no início de uma guerra colonial que terá fim com a Revolução do 25 de abril de 1974 -, Jofre Rocha parte para Lisboa onde termina o 7.º ano do liceu.
Contudo, abertas as portas do avião, simbolicamente as portas que lhe dariam acesso ao aprofundamento da sua formação académica, o autor deparou com a repressão e o obscurantismo, personificados na figura da PIDE, polícia fascista portuguesa, que o deteve na cadeia de Aljube, durante quatro meses.
Findo este período, foi, de novo, enviado para Luanda, onde continuou preso até 1963, sem qualquer julgamento.
Retomada a liberdade, o autor, lutador convicto dos ideais nacionalistas e independentistas, empenha-se, juntamente com outros conterrâneos, na atividade política e é preso de novo. Tendo estado dois anos sem julgamento, é finalmente julgado no 2.º Tribunal Militar Territorial de Angola, em junho de 1965. Acusado de "atividades subversivas e atentado contra a segurança do Estado", é condenado a dezoito meses de prisão efetiva e três anos de medidas de segurança. Em julho de 1968, foi libertado definitivamente.
Seis anos mais tarde, já depois da proclamação da independência de Angola, foi nomeado para importantes cargos públicos e governamentais. Eleito deputado, presidiu à Assembleia Nacional.
Com muitos outros escritores angolanos, ajudou a fundar a União de Escritores Angolanos (UEA), tendo sido presidente da sua Assembleia Geral entre 1986 e 1997.
Revelando, desde muito cedo, um forte apego às artes e às letras, Jofre Rocha começou por publicar alguns dos seus trabalhos no Órgão "O Estudante" do Liceu Nacional de Salvador Correia, de Luanda, em 1959.
Foi colaborador de vários jornais angolanos, nomeadamente da página "Artes e Letras" do jornal A Província de Angola, do Diário de Angola, do ABC e do O Lobito e Convivium os quais foram veículos dos seus poemas, crónicas e contos.
Enquanto jornalista profissional, iniciou a sua atividade fazendo parte da Comissão Redatorial de Angola na Revista, Órgão da Liga Nacional Africana que, suspenso no período da guerra colonial, retomou a sua publicação em agosto de 1974.
Poeta e ficcionista, Jofre Rocha, um dos nomes importantes da "Geração de 70" angolana, continuando a incidir na temática da guerra e da degradação social e económica que dela emerge, utiliza agora um discurso mais otimista que deixa perpassar a vida e o sonho, assente no desejo de construção e reconstrução nacional: " Vem irmão, seca as lágrimas nas pupilas/toma a minha mão amiga/ percorramos o mesmo trilho batido do fundo da floresta/... e à volta da árvore milenar à beira do caminho/ saudemos a alforria ansiada pela nossa geração."
Os seus textos figuram em antologias e publicações, tais como Angola, Poesia 1971; Cancioneiro Angolano, 1972; Poesia Angolana de Revolta, 1975; No Reino de Caliban, Antologia Panorâmica de Poesia Africana de Língua Portuguesa, 1976.
Publicou os seguintes livros: Tempo de Cicio, 1973; Estórias do Musseque, 1976; Assim se faz Madrugada, 1977; Canções do Povo e da Revolução, 1977; Estórias de Kapamgombe, 1978; Crónicas de Ontem e de Sempre, 1985; Golanções de Amor e Luta, 1988; Entre Sonho e Desvario, 1989.
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