John Schlesinger

Realizador inglês, John Richard Schlesinger nasceu a 16 de fevereiro de 1926, em Londres. Aos 11 anos, ofereceram-lhe uma câmara de filmar de 9,5 milímetros o que veio acentuar a sua paixão pelo cinema. Lutou no exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial, onde fazia números de ilusionismo para entreter as tropas. Findo o conflito, matriculou-se no curso de Artes Dramáticas da Universidade de Oxford, tendo-o terminado em 1950. Iniciou então uma carreira de ator, tendo participado em diversos programas radiofónicos, televisivos e obtido alguns papéis menores em cinema. Em 1956, iniciou uma carreira de documentarista para a BBC, tendo mesmo vencido o Leão de Ouro do Festival de Veneza com o documentário Terminus (1961), um retrato do quotidiano na estação ferroviária londrina de Waterloo. A distinção valeu-lhe um convite para realizar o filme A Kind of Loving (Um Amor Diferente dos Outros, 1962), um melodrama sobre um jovem casal que é compelido a casar-se, após um gravidez indesejada. Apesar da faceta semidocumental do filme com as personagens a falar na primeira pessoa para a câmara, o filme venceu o Urso de Ouro do Festival de Berlim. Seguiu-se o popular êxito Billy Liar (O Jovem Mentiroso, 1963), uma comédia sobre um jovem ambicioso (Tom Courtenay) que se refugia num mundo de ilusões para a falta de oportunidades de emprego na sua cidade natal. O filme marcou a primeira prestação significativa da atriz Julie Christie, que foi novamente requisitada pelo realizador para Darling (1965), uma história sobre uma rapariga que consegue um casamento de conveniência com um nobre italiano e que procura melhorar a sua autoestima através da manutenção de diversos casos amorosos. Schlesinger arrecadou a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Realizador. Convidado para prosseguir a sua carreira nos EUA, não poderia ter um melhor "batismo de fogo": o Óscar pela Direção de Midnight Cowboy (O Cowboy da Meia-Noite, 1969) foi um justo prémio para um filme que esboça uma visão pessimista da condição humana alicerçada na estranha amizade entre um candidato a gigolo (Jon Voight) e um vigarista tuberculoso (Dustin Hoffman). Apesar de ter merecido à altura a classificação de X (para adultos) por abordar questões como a marginalidade e a prostituição masculina, o filme foi um sucesso mundial e lançou a carreira do realizador. Regressou à Inglaterra com Sunday, Bloody Sunday (Domingo... Maldito Domingo, 1971), a história de um inusitado triângulo amoroso que voltou a valer ao realizador nova nomeação para Óscar. Ícone do cinema britânico, conheceu o primeiro fracasso de bilheteira com Day of the Locust (O Dia dos Gafanhotos, 1975), uma sátira aos meandros de Hollywood dos anos 30. Redimiu-se com o thriller Marathon Man (O Homem da Maratona, 1975), onde Laurence Olivier brilhou como o dentista nazi que viaja aos EUA para recuperar a sua coleção de diamantes, deixando atrás de si um rasto de morte e que é travado por um jovem estudante judeu (Dustin Hoffman). Após este filme, a sua carreira tornou-se algo incaracterística, fazendo cedências a um tipo de cinema mais comercial. A exceção foi o singelo Madame Sousatzka (Madame Sousatzka, a Professora, 1988), onde Shirley MacLaine convenceu no papel de uma professora russa de música que ensina aos seus alunos que a virtude é mais valiosa que o dinheiro. Os seus últimos títulos foram Pacific Heights (O Inquilino Misterioso, 1990), o telefilme A Question of Attribution (1992) e The Next Best Thing (2000), com Madonna. Faleceu a 25 de julho de 2003.
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