Jorge Magalhães

Escritor, tradutor, coordenador editorial e autor de banda desenhada, Jorge Arnaldo Sacadura Cabral de Magalhães nasceu no Porto, a 22 de março de 1938.
Uma vez concluído o antigo Curso Liceal e, antes de partir para Angola, publicou contos nas revistas juvenis Mundo de Aventuras e O Mosquito (II série), em 1959 e 1960.
Em Angola foi funcionário público, trabalhando no Instituto do Café de Angola. Aí viveu entre 1961 e 1973, entre Luanda, Novo Redondo e Porto Amboim, regressando à metrópole um ano antes do 25 de abril. Durante a sua permanência em Angola, colaborou ativamente em periódicos locais como o Comércio de Luanda, onde coordenou a página juvenil, Trópico e A Província de Angola, sem esquecer a sua passagem pela rádio e o Teatro.
Mesmo longe de Lisboa, publicou artigos no jornal República, na revista Pisca-Pisca e outras publicações.
Uma vez instalado em Lisboa, trabalhou na dinâmica Agência Portuguesa de Revistas, tornando-se em 1974 coordenador da célebre revista de BD Mundo de Aventuras (II série), entre outros títulos da editora (Mundo de Aventuras Especial e Seleções), traduzindo "bedês" e escrevendo artigos e contos.
Em 1976 foi um dos sócios fundadores do Clube Português de Banda Desenhada, onde chegou a ser membro da direção, sendo este ano marcado também pelo início da sua atividade como argumentista de BD, com "A Lenda de Gaia", desenhada por Batista Mendes para o Mundo de Aventuras.
Como autor de banda desenhada, escrevendo muitos argumentos para diferentes desenhadores, deve ser destacada a sua profícua colaboração com o desenhador Augusto Trigo, com quem formou uma notável dupla de autores de histórias de aventura. Realizaram: "A Luz do Oriente", que apareceu em Quadradinhos (II série), em 1980-1981 e no Jornal do Exército, em 1983, sendo editado posteriormente em álbum pela Futura, em 1986; "Wakantanka: O Bisonte Negro", publicado em Quadradinhos, (II série), em 1981-82, no Mundo de Aventuras em 1981-83, no Jornal da BD em 1984-85 e em álbum da Edinter em 1985.
Outros destaques destes autores foram também: "Excalibur: O Anel Mágico", na Tintin, em 1982, no Almanaque O Mosquito em 1986, no Jornal da BD, em 1987, e em álbum da Meribérica/Liber, em 1988; "Ranger: A Vingança do Elefante", em O Mosquito (V série), em 1984-85, no Mundo de Aventuras, em 1986, no Jornal da BD em 1987 e em álbum da Meribérica/Liber, em 1988; "Wakantanka: O Povo Serpente", no Mundo de Aventuras, em 1985-86, no Jornal da BD, em 1986, e em álbum da Meribérica/Liber, em 1988.
Neste conjunto de trabalhos fica patente o seu vasto imaginário, aliado ao traço realista de Augusto Trigo, que leva os seus leitores tanto ao ambiente histórico da Távola Redonda em Excalibur, como à sua África de adoção em "A Vingança do Elefante ou dos índios da América do Norte", em "Wakantanka".
Ainda com o mesmo desenhador, realizou um conjunto de histórias para a Coleção "Lendas de Portugal em Banda Desenhada", das Edições ASA, série que foi iniciada no Jornal do Exército, com "A Lenda do Rei Rodrigo", publicada em 1985 e editada em 1988, mas também com "A Moura Encantada", publicada em 1985-87 e editada em 1988. Seguiram-se A Lenda de Gaia, que apareceu em álbum em 1989, A Dama Pé de Cabra (álbum de 1989) e A Moura Cassima (álbum de 1991). Este último título foi distinguido durante o 3.º Festival Internacional de BD da Amadora, em 1992, com o Troféu "Zé Pacóvio e Grilinho" Para o Melhor Álbum Português.
Uma BD bastante apreciada foi A Ilha do Tesoiro, adaptação da obra de Robert-Louis Stevenson, publicada em 1947 e que, mais de 40 anos depois, foi continuada por Fernando Bento. O Regresso à Ilha do Tesouro teve argumento de Jorge Magalhães, que adaptou um romance de H. A. Calahan, o quase desconhecido autor que retomou as personagens de Robert-Louis Stevenson. Desta história houve um primeiro volume editado pela ASA em 1993, tendo a segunda parte ficado incompleta na coloração de grande parte das páginas, uma vez que a sua edição ficou suspensa.
A revista Seleções BD (II série), de que foi chefe de redação, apresentou a segunda parte da história, também sob argumento de Jorge Magalhães. A terceira e última parte de O Regresso à Ilha do Tesouro ficou assim por fazer.
Em parceria com Catherine Labey (sua esposa), fez os argumentos da Coleção "Histórias Maravilhosas em BD", contos infantis editados pela ASA, entre outros títulos do género realizados com diversos autores para a mesma editora (como José Abrantes, Eugénio Silva, José Garcês e Carlos Alberto Santos).
Nos anos 80 e 90 foi o coordenador editorial da Futura, editora dirigida por José Chaves Ferreira, que apresentou algumas dezenas de álbuns de BD bem como as revistas O Mosquito (V série) e Almanaque O Mosquito, em simultâneo com a coordenação das revistas Homem-Aranha, Thor e O Incrível Hulk, da Distri Editora, em 1983. Entre 1997 e 1998 coordenou a revista Heróis Inesquecíveis, para as Edições Rodrigues Chaveiro, que publicou BD de autores clássicos estado-unidenses.
A título particular, tem editado alguns Fanzines especializados em BD, como Cadernos de Banda Desenhada, Fandaventuras e Fandwestern, e colaborou com o Boletim do Clube Português de Banda Desenhada, entre muitos outros periódicos, incluindo estrangeiros.
Depois da sua passagem pela coordenação da revista Seleções BD (II série), entre novembro de 1998 e maio de 1991, que terminou abrubtamente, tem colaborado pontualmente com as Edições ASA, onde se destaca o seu trabalho em Vasco Granja - Uma vida... 1000 imagens, editado em 2003, de que foi autor das várias Bandas Desenhadas, realizadas por diferentes autores, para além de ter coordenado a obra.
Foi várias vezes distinguido com o Troféu "O Mosquito" Para o Melhor Argumentista do Ano, em 1981, 1984, 1985, 1990 e 1993, pelo Clube Português de Banda Desenhada, e com o Troféu "Zé Pacóvio e Grilinho" - Honra, pelo Festival Internacional de BD da Amadora, em 1999.
Como referenciar: Jorge Magalhães in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-17 09:47:18]. Disponível na Internet: