Jorge Palma

Músico português, Jorge Palma nasceu a 4 de junho de 1950, em Lisboa. Em 1956 iniciou os seus estudos musicais, em piano, tendo prestado a sua primeira audição no Conservatório de Lisboa com apenas 8 anos. Em 1963 recebeu o 2.º prémio e Menção Honrosa no Concurso Internacional das Juventudes Musicais, realizado em Palma de Maiorca (Espanha). Em 1964 deu-se a viragem ao nível das suas preferências e práticas musicais, dedicando-se às sonoridades pop-rock em detrimento da música clássica.
Acompanhado da sua guitarra rumou ao Algarve em 1967 onde pretendeu alcançar a autonomia como músico. Aí integrou a banda Black Boys, ainda que esta experiência se tenha revelado fugaz. Em 1969 fez parte dos Sindikato, grupo de hard-rock, ao mesmo tempo que estudava na Faculdade de Ciências de Lisboa. Com a inclusão de uma secção de metais, o grupo trilha o seu caminho pelo jazz-rock, acabando por participar na 1.ª edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. A atuação neste festival e a convivência com outros músicos estimularam-no à escrita musical e à composição dos primeiros temas com letras em inglês. Com os Sindikato chegou mesmo a editar um single e um álbum de versões. A estreia a solo, no formato de 45 rotações por minuto, deu-se em 1972 com "The Nine Billion Names of God". Nesse mesmo ano realizou a sua primeira viagem transcontinental, que o levou aos Estados Unidos da América, ao Canadá e às Caraíbas.
O seu primeiro single em português foi editado em 1973, intitulado "A Última Canção", na sequência de um trabalho de aprendizagem com o escritor José Carlos Ary dos Santos. Seguiu-se nova viagem aos Estados Unidos da América e os primeiros convites para compor e orquestrar temas de outros intépretes. A solicitação para o cumprimento do serviço militar forçou a sua saída de Portugal, agora na qualidade de exilado na Dinamarca e sacrificando o curso de Engenharia. Após a revolução de 25 de abril de 1974 regressou a Portugal, com uma breve passagem por Itália. Em 1975 lançou o seu primeiro album, Com Uma Viagem na Palma da Mão, que incluiu temas como "Poema Flipão" ou "Velho no Jardim". Nesse mesmo ano viu intensificar-se a requisição dos seus méritos de orquestrador (nesta condição chegou a trabalhar com Amália), compositor e letrista, incluindo a participação no primeiro Festival RTP da Canção do pós-25 de abril, em colaboração com Pedro Osório e Nuno Nazareth Fernandes.
O ano de 1977 viu sair o seu segundo longa-duração, Té Já, no qual participaram nomes como Júlio Pereira, Rão Kyao, Guilherme Inês, entre outros. Marcado pelo jazz e blues, deste trabalho fizeram parte temas como "Bairro do Amor", "Podem Falar" e "Eu Sei Lá".
Seguiram-se viagens ao Brasil e a Espanha, onde tocou nas ruas de diversas cidades. O final da década foi dedicado aos bares, esplanadas e Metro de Paris, onde tocou Bob Dylan, Leonard Cohen e Paul Simon, entre outros. De regresso a Portugal, em 1979, gravou Qualquer Coisa Pá Música, terceiro álbum de originais que incluiu "Maçã de junho" e "Quero o Meu Dinheiro de Volta". Após nova permanência em França (dois anos), editou Ato Contínuo, um duplo álbum do qual fizeram parte os clássicos "Portugal, Portugal" e "Picado Pelas Abelhas".
Em 1983 viu nascer o seu primeiro filho, de nome Vicente, a quem dedicou o tema "Castor", incluído em Asas e Penas (1984). Deste trabalho fez ainda parte o tema "Estrela do Mar".
O ano de 1985 marcou a edição de um dos seus mais bem-sucedidos álbuns de sempre - O Lado Errado da Noite. Distinguido com vários prémios da imprensa portuguesa, este trabalho incluiu os clássicos "Deixa-me Rir" (este fez parte da telenovela portuguesa Palavras Cruzadas), "O Lado Errado da Noite" e "Jeremias, O Fora da Lei" e foi pretexto para uma grande digressão pelo continente e ilhas que culminou na sua primeira grande apresentação ao vivo em Lisboa, no palco da Aula Magna.
Em 1986 finalizou o Curso Geral de Piano e gravou Quarto Minguante, o seu sétimo álbum. Foram necessários três anos até à edição de novo trabalho, desta feita Bairro do Amor, considerado pela crítica um dos álbuns do século da música portuguesa. Deste trabalho fizeram parte "Dá-me Lume", "Frágil" e uma nova versão do tema-título.
Durante a década de 90, Jorge Palma não editou qualquer álbum de originais, mas a sua atividade musical conheceu novos desafios. Em 1990 concluiu o Curso Superior de Piano do Conservatório de Lisboa e no ano seguinte editou , álbum intimista em que revisitou temas antigos. Em 1992 formou o projeto rock Palma's Gang, juntamente com Kalu e Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, Flak e Alex, dos Rádio Macau. Em 1993 o grupo editou o registo Palma's Gang: Ao Vivo no Johnny Guitar, que percorreu mais uma vez a carreira de Jorge Palma, agora dentro da sonoridade rock que as guitarras elétricas imprimem. O ano de 1994 ficou marcado por uma série de concertos em Portugal, quer a solo, quer com o Palma's Gang, sendo de destacar os concertos do S. Luiz, em Lisboa, a 4 e 5 de novembro.
Após o nascimento do seu segundo filho, Francisco, surgiu o convite, em 1996, para integrar os Rio Grande, ao lado de Rui Veloso, Vitorino, Tim e João Gil, projeto de cariz marcadamente popular cujo álbum de apresentação se revelou um enorme sucesso comercial. Nesse mesmo ano participou no espetáculo Filhos de Rimbaud em colaboração com Sérgio Godinho, João Peste, Rui Reininho e Al Berto, e musicou poemas de Regina Guimarães para Lux in Tenebris, peça da juventude de Brecht levada à cena pela Companhia de Teatro de Braga. Participou ainda no álbum As Canções de João Loio e viu o seu tema "Frágil" ser recriado por André Sardet no seu álbum de estreia Imagens. Em 1996, foi editada a compilação Deixa-me Rir, que contemplou alguns temas dos álbuns Asas e Penas, Lado Errado da Noite e Quarto Minguante.
O ano de 1997 foi marcado pelo lançamento do segundo álbum dos Rio Grande, Dia de Concerto, desta feita um álbum ao vivo (resultante de um duplo concerto dado no Coliseu dos Recreios), no qual foi incluído um tema até aí inédito de Jorge Palma - "Quem És Tu De Novo".
Jorge Palma participou em vários concertos na Expo 98, entre os quais o concerto de solidariedade para com a Guiné-Bissau e a participação, como convidado, no espetáculo de Amélia Muge, englobado num projeto inédito, E as vozes embarcam, que juntou os dois cantores e o grupo búlgaro Pirin Folk Ensemble. Ainda em 1998 foi diretor musical do espetáculo Aos Que Nasceram Depois de Nós, que percorreu todo o país, numa coprodução dos Artistas Unidos e da Companhia de Teatro de Braga, baseado em textos de Bertold Brecht, musicados por Kurt Weill, Hans Eisler, pelo próprio Brecht e, no tema "Do Pobre B.B.", por Jorge Palma. Do elenco deste espetáculo, para além de Jorge Palma, fez também parte a atriz Lia Gama, entre muitos outros.
Em 1999 participou no álbum de tributo aos Xutos & Pontapés, XX Anos XX Bandas, tendo interpretado, acompanhado pela guitarra de Flak, o tema "Nesta Cidade", com letra de João Gentil (um poeta de Lisboa, que acompanhava Jorge Palma quando este tocava na rua). Participou ainda no álbum Tatuagem, de Mafalda Veiga, num dueto - "Tatuagens" - que veio a ser o single de apresentação do álbum. A sua atividade musical ao longo da década estendeu-se a trabalhos de vários artistas e grupos como, por exemplo, Censurados, Né Ladeiras, Xutos & Pontapés, Paulo Gonzo, entre outros. Foi ainda letrista, compositor e músico nos álbuns Espanta Espíritos e Voz e Guitarra, trabalhos em que participaram vários nomes da música portuguesa.
Em 2001 editou novo álbum de originais intitulado Jorge Palma. O álbum foi adiado diversas vezes e esteve para se chamar "Tempo dos Assassinos", primeiro, e "Está-se Tudo A Passar", depois. O disco acabaria por ser galardoado com o Prémio José Afonso, para melhor disco português de 2001. Os temas mais expressivos do disco, "Dormia Tão Sossegada" e "Quem És Tu, De Novo", foram nomeados para o Globo de Ouro na categoria de melhor canção nacional.
No ano seguinte, registando o triplo concerto do Teatro Villaret, o cantor revisitou a sua obra em No Tempo Dos Assassinos, um disco que nos mostra um Jorge Palma sozinho, à guitarra ou ao piano, contando nalguns temas com a colaboração do seu filho Vicente. 2004 foi um ano para mais um original, Norte, com letras e músicas maioritariamente de Jorge Palma, embora também tenham sido incluídos poemas de Carlos Tê e Al Berto.
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