José Custódio de Faria

Sacerdote português, abade de Faria, José Custódio de Faria nasceu em 1756, na Índia portuguesa (Candolim de Bardês, Goa), e foi ordenado sacerdote em 1772, depois ter realizado estudos em Lisboa e Roma. Foi professor de Filosofia em França e tomou parte da revolução francesa. Ainda em França notabilizou-se como magnetizador, tendo sido discípulo de ilustres praticantes deste método tais como Mesmer e Puységur.
No entanto, Faria não concordava com as teorias propostas pelos seus mestres, nomeadamente a teoria do "fluído magnético", defendida por Mesmer, e a teoria da "vontade do hipnotizador" preconizada por Puységur. Após aturadas e meticulosas investigações, abandonou estas ideias e concluiu que o magnetismo era um fenómeno natural provocado pelo efeito de sugestão.
As teorias de Faria estavam adiantadas para a época e, apesar de ter desmistificado o magnetismo numa época em que a Igreja lhe atribuía um carácter diabólico, foi perseguido, atacado pela imprensa parisiense, vexado e ridicularizado, tendo morrido na miséria. Só muito mais tarde o seu trabalho foi devidamente reconhecido e mencionado por relevantes autores tais como Janet, Berrheim, Liébault, entre outros. Hoje em dia praticamente todas as obras modernas sobre a história do hipnotismo reconhecem o seu importante contributo. Chateaubriand faz uma alusão de Faria na sua obra Memórias de Além-Túmulo e Alexandre Dumas (pai) fez dele uma personagem do Conde de Monte Cristo descrevendo-o como um homem de grande erudição.
Pedro Luzes (1997) considera-o um importante precursor da Psicanálise na medida em que foi o verdadeiro iniciador da teoria sugestiva ou psicológica do hipnotismo.
É autor de De la cause du sommeil lucide (1819). Faleceu em 1819.
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