José Gomes Ferreira

Escritor português nascido a 9 de junho de 1900, no Porto, e falecido a 8 de fevereiro de 1985, em Lisboa. Licenciou-se em Direito em 1924, na Universidade de Lisboa, e foi cônsul na Noruega de 1926 a 1929. Nos anos 30 a 50, traduz fitas cinematográficas e redige, sob vários pseudónimos, crónicas, historietas, intrigas policiais, para pequenas publicações, ao mesmo tempo que colabora nas revistas, jornais e antologias poéticas Presença, Galo, O Diabo, Revista de Portugal, Portucale, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Europa, Cadernos do Meio-Dia. A partir de 1948, inicia a publicação da sua obra poética, reunida posteriormente nos três volumes de Poeta Militante - Viagem do Século Vinte em Mim, uma criação poética caracterizada pela violência da denúncia de todo o tipo de situações de injustiça e de alienação, de permanente "contestação do real ou, antes, da aparência a que chamamos realidade. Contestação da sua mecânica feroz, do seu artificialismo absurdo, do seu não-sentido, da sua falta de imaginação" (ROSA, A. Ramos, Vértice, n.° 473, 1986).
Politicamente, opôs-se à ditadura de Sidónio Pais e, mais tarde, à de Oliveira Salazar, tendo sido em 1979, já depois da revolução do 25 de abril, candidato pela APU para Lisboa, e em 1980 filiado no PCP. Foi condecorado grande oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada por Ramalho Eanes.
José Gomes Ferreira é também autor de uma considerável obra em prosa, ficcional e de recriação de memórias, marcada, desde as conhecidas Aventuras de João Sem Medo, pelo simbolismo, por situações surrealizantes, pela criação de um novo imaginário de mitos e sonhos, que não decorre do absurdo, mas de uma linguagem alegorizante, imposta por uma situação de escrita subversiva sob a censura e ditada pela crença íntima no poder da imaginação para "enobrecer e embelezar todos os sentimentos reles e as coisas vis da terra" (de O Sabor das Trevas: romance alegoria dos tempos amargos, Lisboa, 1976, p. 164).
A sua poesia encontra-se coligida em Poeta Militante (6 vols., 1977-78). No domínio da ficção, publicou O Mundo dos Outros (1950), Aventuras Maravilhosas de João Sem Medo (1963), Tempo Escandinavo (1969) e O Irreal Quotidiano (1971). Merecem também referência as suas memórias, com o título A Memória das Palavras (ou o Gosto de Falar de Mim) (1965). Em 1961 recebeu o "Grande Prémio da Poesia", atribuído pela Sociedade Portuguesa de Escritores à sua obra Poesia III.
Da sua escrita ressalta uma grande preocupação humanística, com constante atenção aos problemas do nosso tempo, glosando temas como a liberdade, a dignidade humana e a solidariedade para com os outros, sobretudo no sofrimento.
Foi Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978.
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