José Júlio

Artista plástico, José Júlio Andrade dos Santos nasceu em Lisboa, em 1916, e morreu na mesma cidade, em 1963. Licenciado em Matemática e Ciência Geofísica pela Faculdade de Ciências de Lisboa, foi professor de Matemática e de Desenho no Liceu Charles Lepierre. O seu pai era músico, executante de trombone. José Júlio dedicou-se, também, à música, chegando a realizar uma pequena composição de canto popularizada por Maria de Lourdes Rezende, com versos extraídos de um poema de António Nobre: O João Dorme. A canção era dedicada ao seu filho mais velho, chamado João, criança que esteve também na origem da prática da pintura de José Júlio. Efetivamente, para ajudar a expressão pictórica da criança, José Júlio passou a dedicar-se à prática e à teoria, acabando ele mesmo por se tornar pintor. A sua vontade de ajudar os jovens levou-o a realizar conferências, exposições didáticas nas associações de estudantes, sacrificando generosamente os seus livros com reproduções. Com o mesmo espírito integrou-se em ações coletivas, participando na criação da Cooperativa dos Gravadores Portugueses e nos corpos diretivos da Sociedade Nacional de Belas-Artes, no final dos anos cinquenta, contribuindo para o prestígio do associativismo e da prática democrática.
Em 1949 iniciou a sua atividade artística e expôs pela primeira vez individualmente em 1951, na SNBA e desde esse ano participou em numerosas exposições coletivas, como nas Exposições Gerais, desde a primeira, em 1956.
Os artistas de sua referência foram Van Gogh, Cézanne, Picasso e Paul Klee o que ajuda a compreender a sua obra. A influência de Cézanne fica patente na fragmentada e admirável unidade; de Picasso na fase azul antes do cubismo – José Júlio pintou um "Arlequim"; da densidade vangoghiana na aplicação da cor; da modernidade teórica do pensamento de Klee na sua conceptualidade original e poética. A sua obra é um exemplo do neoimpressionismo abstrato, que teve muitos praticantes nos anos 1950.

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