José Niza

Compositor e produtor português, nasceu em 1939, em Lisboa, e faleceu a 23 de setembro de 2011.
Passou a sua infância e juventude em Santarém, de onde saiu aos 17 anos para ir estudar Medicina e Psiquiatria para Coimbra. Foi nesta cidade que se iniciou na música, através do fado, após ter travado conhecimento com José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
Em 1961, juntamente com Proença de Carvalho, Rui Ressurreição e Joaquim Caixeiro, José Niza fundou um quarteto de jazz e o Clube de Jazz do Orfeu. No entanto, quando quiseram organizar um festival de jazz no anfiteatro da Faculdade de Letras de Coimbra, o diretor recusou ceder o espaço. Ainda em 1961, devido à morte do pai, José Niza teve de regressar a Santarém. A colaboração com José Afonso foi retomada em 1966, quando voltou a Coimbra para terminar o curso de Medicina.
Em 68-69, os dois fizeram a música para a peça A Exceção e a Regra, que foi estreada num centro paroquial de Águeda no âmbito de um curso sobre Brecht que houve em Coimbra. No dia seguinte à apresentação da peça, a PIDE encerrou o centro paroquial. Uma outra peça, Castelão e a sua época, também foi proibida. Surgiu então a greve académica de 1969, que teve como um dos hinos a canção "Cantar de Emigrante", composta por Niza, e tudo isto valeu, por mais do que uma vez, a sua chamada à PIDE para interrogatório.
Em 1970, José Niza foi destacado para Angola, onde desempenhou a função de alferes-médico do exército português e lá fez as músicas do disco de Adriano Correia de Oliveira, chamado Gente de Aqui e de Agora, que viria a ser lançado em outubro de 1971. O álbum acabou por marcar uma viragem na música portuguesa, já que requereu a participação de diversos instrumentos e não só a viola como era tradição, pois foi composto tendo em conta a experiência de Niza no jazz.
Ainda em território angolano, também em 1970, Niza compôs Fala do Homem Nascido, de António Gedeão, com base nos poemas deste autor recebidos a partir de Lisboa. O disco viria a sair em 1972, com arranjos orquestrais de José Calvário e vozes de Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel.
Entretanto, em 1971, Niza passou a ser também diretor de produção da editora Orfeu.
Foi a partir desta época que passou a produzir diversos trabalhos de cantores portugueses, como Fausto, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Vitorino, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
Em 1972, juntamente com José Calvário e Carlos Mendes, ganhou o Festival RTP da Canção com o tema "A Festa da Vida". José Niza repetiu a vitória no Festival da Canção em 1974 (com José Calvário), 1976 (com Manuel Alegre) e 1987 (de novo com Calvário).
Após o 25 de abril de 1974, José Niza, filiado no Partido Socialista, deixou a editora Orfeu e passou a dedicar-se a outro tipo de atividades. Foi eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Santarém e, em 1977 e 1978, ocupou o cargo de diretor de Programas da RTP. Em 1983-84, voltou à RTP como administrador ligado à produção e, em 1985, regressou ao Parlamento, onde se dedicou principalmente a defender a música. Participou, por exemplo, na elaboração da legislação relativa à obrigatoriedade de passagem de 50% de música portuguesa nas estações de rádio.
Em 1999, José Niza deixou de ser deputado no Parlamento, mas manteve-se na Assembleia da República, onde passou a ser assessor do presidente Almeida Santos. O antigo músico mantém-se afastado da atividade musical.
Como referenciar: José Niza in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-22 04:44:39]. Disponível na Internet: