José Riço Direitinho

José Riço Direitinho nasceu em 1965, em Lisboa. Licenciou-se em Agronomia, e editou, em 1992, o seu primeiro livro de contos, A Casa do Fim.
Posteriormente, a continuidade do seu trabalho de ficção germinou novo fruto e os leitores puderam conhecer o seu romance Breviário das Más Inclinações (Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores - APÉ).
Destacado como romance premiado, Breviário das Más Inclinações fala-nos, sem preconceitos, de fetiches, superstições , crendices e outras artes tidas como obscuras. Pondo a nu muitas das crenças populares, este romance tem como personagem principal José de Risso que ao longo da ação narrativa nos tenta apresentar estes rituais de forma verosímil, veracidade, aliás confirmada pela dedicatória do autor à " memória saudosa de José de Risso".
Fruto de um incidente resultante destas crendices, o protagonista nasce porque a sua mãe fez uma "infusão de folhas de arruda apanhadas ao luar" e bebeu "tisanas com sementes de funcho e de sargacinha-dos-montes para que as regras não lhe faltassem", esquecendo-se, apesar da sua experiência nestas práticas, que esta mezinha era também indicada para combater a esterilidade feminina.
Assim, filho de um pai e de uma mãe com grande sabedoria popular, José de Risso, será marcado pela desgraça, através de um sinal em forma de folha de carvalho que tinha no centro das costas desde que nascera e que a mãe associara ao facto de ter trazido, no bolso do avental, durante todo o período de gravidez, uma folha da mesma árvore.
Personagem com uma vida atribulada e "obscura",o tempo do passado, o do presente e o do futuro cruzam-se e coexistem. Para a estruturação desta circularidade temporal, o narrador recorre a prolepses, antecipando os acontecimentos, a analepses que permitem relembrar a história passada e a elipses. Desta forma, cria uma "trama diabólica" que marca a vida de quem teve a ousadia de nascer no dia de S. Bartolomeu (24 de agosto) - o dia em que - dizem as crenças - o diabo anda à solta.
Perpassado por uma profunda ironia, o romance apresenta-se como um hino à "harmonia causal" do mundo, assente na memória e sabedoria popular, que apenas se desconcerta quando negamos as suas leis.
Escreveu ainda os romances Histórias com Cidades e o Relógio do Cárcere.
A sua obra, prestigiada no meio literário, faz de José Riço Direitinho um dos nomes grandes das nossas Letras.
Como referenciar: José Riço Direitinho in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-04-01 12:47:14]. Disponível na Internet: