José Sasportes

Escritor e historiador de dança português, nascido em 1937, foi ministro da Cultura do executivo liderado por António Guterres, cargo que assumiu em julho de 2000, na sequência da demissão do anterior titular da pasta, Manuel Maria Carrilho.

José Sasportes exercia então atividades de Diretor do Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian, era conselheiro da Universidade Técnica de Lisboa (desde 1995) e conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Washington D. C. (EUA), para além de diretor da revista La Danza Italiana e de membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social (1999-2000). Foi também consultor da EXPO'98, para o "Festival dos 100 Dias".
A sua trajetória pessoal está também ligada à atividade diplomática, iniciada em 1962 como encarregado do Serviço de Imprensa da Embaixada de Itália em Lisboa (até 1965), exercendo depois funções idênticas entre 1965 e 1967 na representação congénere do Canadá na capital portuguesa.

Em 1977 passa a exercer essas mesmas funções na Embaixada de Portugal em Roma (Itália) e, entre 1989 e 1990, na Missão portuguesa junto da ONU, em Nova Iorque, para além de ter sido conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Washington D. C. (EUA) até 1999 e da Embaixada de Portugal em Estocolmo entre 2001 e 2002.

É autor de várias publicações desde 1962, na área da história da dança em Portugal e na Europa (Situação e problemas da dança contemporânea, História da Dança em Portugal, Pensar a dança: a reflexão estética de Mallarmé a Cocteau , A Quinta Musa, entre outros), da estética da dança, do teatro, bem como argumentos para peças e filmes, editando várias das suas obras no País e no estrangeiro (Canadá, Itália, EUA).

Colaborou em várias obras coletivas em Portugal mas principalmente em Itália, nas décadas de 80 e 90 tendo entradas igualmente na International Encyclopedia of Dance, publicada pela Oxford University Press, na Encyclopedia of dance and Ballet, Londres (1977) ou, em Portugal, no Dicionário do Teatro Português (1970). Foi também tradutor de obras de Herman Melville, Arnold Haskell, Henry Miller, Tennessee Williams ou Gide.

Foi também professor de História da Dança, História do Teatro ou Estética da Dança em várias academias portuguesas (como o Conservatório Nacional de Lisboa) e estrangeiras (Canadá, Itália), conselheiro em universidades e diretor de cursos e pós-graduações naquelas áreas em várias instituições de ensino. Foi o promotor, por exemplo, do curso sobre História da Dança Italiana no DAMS (Dep.º das Artes da Música e do Espetáculo), da Universidade de Bolonha.

Em termos de animação cultural, a par da promoção do "Grand Ballets Canadiens", foi secretário-geral da Comissão para a Reforma do Conservatório Nacional (1971-74) e esteve ligado a projetos de difusão da cultura portuguesa no estrangeiro, dirigindo também grupos e academias de dança e teatro em Portugal e Itália, país a que está muito ligado.

Também no jornalismo e na crítica de dança e teatro na imprensa José Sasportes conseguiu firmar os seus créditos, tendo sido aliás a carreira jornalística a primeira encetada pelo ex-ministro da Cultura. Assim, começou como redator do "Diário de Lisboa" entre 1958 e 1961, regressando ao jornalismo em 1967 como correspondente do "Diário Popular " em Montreal (Canadá), mantendo desde então uma atividade relacionada com a imprensa quase ininterrupta. De destacar o facto de ter sido membro de uma Comissão de Reestruturação da RTP em 1974. Em 1975 foi um dos fundadores - e chefe de redação - do "Jornal Novo".

A crítica de dança e teatro é sem dúvida a atividade jornalística, contudo, em que mais se tem notabilizado, em Portugal como no estrangeiro, bem como ter sido fundador e diretor da revista da especialidade Danza Italiana.

Não apenas como crítico de teatro, mas como autor de peças (como Daisy, 1986, apresentada em França e Portugal), para além de encenador (Processo, de Kafka), Sasportes esteve sempre bastante ligado às artes cénicas e audiovisuais. Nestas últimas destaca-se a coautoria das médias-metragens Dançar (filme-documentário sobre o Royal Ballet School de Londres) e Aller-Retour, esta de ficção.

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