José Veríssimo

Professor, historiador, crítico literário e um dos iniciadores do Realismo brasileiro, José Veríssimo Dias de Matos nasceu a 8 de abril de 1857, em Óbidos, no Estado do Pará, Brasil.
Em 1869, partiu para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola Central (atual Escola Politécnica), mas suspendeu os estudos por doença, regressando ao Pará, em 1876, onde dedicou-se à docência e ao jornalismo. Nesta última área, começou por trabalhar no Liberal do Pará e, mais tarde, fundou e dirigiu a Revista Amazónica, a Gazeta do Norte e a revista do Colégio Americano.
Em 1880, viajou pela Europa e defendeu os escritores brasileiros no Congresso Literário Internacional, em Lisboa. Em 1889, noutra viagem pela Europa, fez uma comunicação, no X Congresso de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica, sobre o homem de Marajó e a antiga história da civilização amazónica. Por essa altura, escreveu os ensaios sociológicos Cenas da Vida Amazônica (1886) e A Amazónia (1892). Entre 1880 e 1891, foi diretor da Instrução Pública, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro, onde retomou a carreira de docente na Escola Normal (hoje Instituto da Educação) e no Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II), estabelecimentos de ensino dos quais foi também diretor.
Fundador da terceira fase da Revista Brasileira (1895-1889), Veríssimo conseguiu juntar toda a literatura nacional em vinte volumes da revista. Foi neste período que surgiu a Academia Brasileira de Letras da qual José Veríssimo foi membro fundador, juntamente com outros ilustres brasileiros, como Machado de Assis, Visconde de Taunay e Joaquim Nabuco, entre outros. Em 1912, tendo Lauro Müller, político e não literato, sido eleito para a vaga do barão do Rio Branco, José Veríssimo, desgostoso, afastou-se da Academia.
A sua vasta obra apresenta estudos sociológicos, históricos e económicos sobre a Amazónia e séries de história e de críticas literárias. Da sua produção escrita, da qual transparece orientações nacionalistas, destaca-se: Educação Nacional (1890), História da Literatura Brasileira (1916), Letras e Literatos (1936).
José Veríssimo, Araripe Júnior e Sílvio Romero constituíram uma trindade crítica da época naturalista, marcada pelo evolucionismo e pela doutrina determinista de Taine.
José Veríssimo faleceu a 2 de dezembro de 1916, no Rio de Janeiro.
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