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Judeus
Povo de origem semita, não muito numeroso, correspondente a uma divisão dos Hebreus, com mais de 4000 anos de história conturbada, sem pátria e com uma sobrevivência difícil manchada por deportações, exílios e chacinas, como o Holocausto nazi.
Segundo a Bíblia, fonte histórica da doutrina e dos primeiros tempos hebraicos, grupos de pastores nómadas, oriundos do vale do Eufrates, vagueavam por todo o Crescente Fértil com os seus rebanhos em busca de pastagens. À frente seguia um Patriarca. Um dos pastores, Abraão, deixa Ur e instala-se na Palestina, segundo as ordens de Deus. Sucede-lhe seu filho Isaac e a este Jacob, ou Israel ("homem forte", em hebraico): daí o termo israelita aplicado aos Judeus.
Jacob fixa-se no Egito, em Gosen. Tem doze filhos, cada um dos quais fundará uma tribo. O penúltimo, José, vendido aos Egípcios pelos irmãos, conquistará a amizade dos faraós e será mesmo ministro, acabando por fortalecer o seu povo, depois de chamar os irmãos.
No século XIV a. C. iniciam a sedentarização, transformando Gosen numa rica região agrícola. Porém, criam inimizades com os Egípcios, que, receosos da sua importância, os expulsam do país: à frente de mais de 600 000 judeus em fuga, estará Moisés, que os conduzirá pelo deserto durante 40 anos até chegar à Terra Prometida, entre o mar e o rio Jordão, às margens dos quais morre, cumprindo a sua missão, coroada pela transmissão dos Dez Mandamentos ao seu povo.
Com Josué, seu sucessor, dá-se a conquista da região - também chamada Canaã - aos Cananeus e a sedentarização definitiva dos Hebreus. Josué não consegue, no entanto, manter o povo unido, repartindo o território pelas doze tribos, assim isoladas e enfraquecidas devido à sua independência. Cada uma delas leva o nome do fundador, havendo uma 13.a que não entrará na partilha (os Levitas), mas tendo direito a culto. As tribos uniam-se ocasionalmente, face a perigos externos, em torno de um chefe, ou Juiz, o último dos quais foi Samuel. Este, no século XI a. C., unirá as tribos no sentido da monarquia, escolhendo um chefe único para as governar: o jovem Saul, da tribo de Benjamim, primeiro rei, a quem sucede David, da tribo de Judá, que estabelece a capital em Jerusalém, depois da conquista da Palestina. Seu filho, Salomão, homem sábio e justo, construirá o Templo de Jerusalém, onde guarda a Arca da Aliança, na qual estava depositado o Decálogo. Com este rei, atinge-se o apogeu do reino hebraico. A sua morte, em 953 a. C., originará o cisma entre as tribos, criando-se dois reinos: Israel, a norte, com dez tribos; Judá, a sul, com duas, e com capital em Jerusalém.
O primeiro reino durará até 722 a. C., com a conquista dos Assírios e posterior deportação e cativeiro do povo na Mesopotâmia. Judá, depois de ataques egípcios e assírios, cai em 586 a. C. nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilónia, que, depois de destruir o Templo e a cidade de Jerusalém, deporta a maior parte do povo (os mais válidos) para o seu país. Daqui advém a palavra Judeus, atribuída ao povo de Judá, último a ser subjugado.

A partir daqui, a história dos Judeus não conhece pátria fixa ou estável. Será, todavia, neste período de dependência e cativeiro que os Judeus se definirão como comunidade religiosa e se distinguirão historicamente dos demais povos do Próximo Oriente. É o período dos Profetas, intérpretes da vontade de Deus, entre os séculos VIII e VI a. C. Os quatro maiores profetas foram Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, havendo doze menores. Instituem uma religião monoteísta, cuja língua litúrgica será o hebraico, apesar de a língua comum ser o aramaico. Surge também a Cabala, o seu código verbal secreto.
Depois do regresso do cativeiro em 538 a. C., a Palestina conhecerá o domínio dos Persas - tolerantes ao ponto de permitirem a reconstrução do Templo -, seguido do dos gregos de Alexandre Magno e do dos Selêucidas. Do ponto de vista religioso, no século IV a. C., Esdras fixa os textos que constituirão depois a Bíblia. Após certa independência com os Macabeus (entre 166 e a primeira metade do século I a. C.), serão dominados pelos Romanos em 63 a. C., que estabelecem o protetorado da Judeia e a governam através de procuradores, um dos quais foi Pôncio Pilatos. É no seu mandato que se dá o aparecimento de Jesus Cristo, crucificado pelos Romanos cerca de 30 d. C. Revoltas sucessivas em 70 d. C. levam à destruição de Jerusalém e do Templo por Tito e depois, em 135, à chacina de milhares de judeus por Adriano, que desterra todos os sobreviventes. Começa aqui a Diáspora, ou dispersão dos Judeus pelo Império Romano, principalmente no Próximo Oriente. O elo de união das comunidades dispersas será sempre a religião, as tradições e costumes do povo, para além do sonho de retorno à Palestina.
Ao longo da Idade Média, os Judeus serão ignorados culturalmente, relegados para comunidades definidas e apartadas dos cristãos, que os acusavam de assassinos de Cristo e causa de muitos males como as pestes e fomes. No Oriente cristão, terão um estatuto legal e uma vida normal, enquanto que no Ocidente sofrerão a intolerância - principalmente depois das Cruzadas e do Concílio de Latrão de 1215, em que passam a andar com insígnias próprias -, apesar de serem importantes como prestamistas e financiadores dos reis e nobreza em muitas ocasiões. Progroms (matanças e perseguições coletivas), judiarias, perseguição inquisitorial, conflitos e expulsões marcam o fim da Idade Média para os Judeus na Europa. A poderosa e florescente comunidade judaica de Espanha será expulsa quase toda em 1492, o mesmo sucedendo em Portugal em 1506, ficando alguns, denominados cristãos-novos, devido à sua conversão forçada. Os judeus peninsulares e do Mediterrâneo denominavam-se sefarditas, ao passo que os da Europa Central e do Norte eram os ashkenazis.
O Iluminismo trará tolerância, existência legal, liberdade de culto e até de cidadania, como na França, para além de preponderância económica crescente, principalmente no século XIX, despoletando o antissemitismo, visível principalmente na Europa Oriental, onde os Judeus eram muito numerosos, sendo frequentemente vítimas de progroms. Como resposta ao antissemitismo, criar-se-á o sionismo, congregação internacional do povo judeu fundada por Theodor Herzl em 1896, animada pelo objetivo de restituir a Palestina aos Judeus. A sua pressão nesse sentido dará frutos depois da Primeira Guerra Mundial, com a intenção dos Aliados de ali se criar esse estado, apesar da oposição da população árabe aí residente. Cria-se também, nessa época, o Lar Judaico, instituição de apoio aos judeus emigrados para a Palestina (acolherá mais tarde também os sobreviventes europeus da Segunda Guerra Mundial). Dá-se, então, uma maciça emigração judaica para a região.
O Holocausto nazi será, contudo, um brutal revés no projeto e no mundo judaicos, com a morte horrorosa de mais de seis milhões de judeus em campos de extermínio na Europa, para além de perseguições e delapidação das suas posses. Paradoxalmente, o próprio Hitler, mentor daquele genocídio, tinha forte ascendência judaica.
Em 1948, com o apoio da ONU, nasce o Estado de Israel, novamente um centro político para os Judeus. Iniciam-se, por outro lado, novos tormentos, resultantes da oposição árabe a esta nação, com a qual se envolve em guerras frequentes e duras. A Organização de Libertação da Palestina (OLP) reivindica também um espaço político e nacional para os Árabes da região, secundarizados e vítimas de certa repressão e indiferença hebraica.
Entre os judeus famosos - e em qualquer domínio contam-se imensos - destacam-se Espinosa (filósofo holandês), Mendelssohn (filósofo alemão), Kafka (escritor checo), Marx (pensador e político alemão), Freud (cientista austríaco) e Einstein (cientista alemão).
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