Jugendstil

O termo Jugendstil designa um movimento cultural alemão, com expressão fundamentalmente no campo das artes plásticas, formado em 1880, em Munique, desenvolvendo-se em simultâneo com os estilos congéneres da Arte Nova e do Modern-Style (o primeiro com significativa representação em França e o segundo surgido em Inglaterra).
O seu nome derivou da revista de Munique "Jugend" (mocidade) que era publicada, desde 1896, por Georg Hirth, traduz alguns dos princípios do movimento como o seu carácter inovador e jovem.
Procurando antes de mais estabelecer o corte com o passado imediato, dominado pelo estilo Guilhermino e pelos revivalismos historicistas de final de oitocentos, o Jugensdtil posicionou-se como uma corrente revolucionária pela vontade de mudar não só as formas mas os meios produtivos e a própria cultura alemã, cada vez mais uniformizada e mecanizada. A sua inspiração no movimento coevo da Arte Nova francesa, revelou-se na recuperação marcadamente decorativa, ainda que estilizada, do carácter formalista e exuberante da gramática curva do barroco e da decoração vegetal do romantismo.
A origem ideológica do movimento remonta ao trabalho teórico e filosófico do inglês John Ruskin (1819-1900). Em termos formais, a influência mais direta veio de Paul Gauguin, dos Nabis e de outros pintores simbolistas bem como das formas expressivas e sinuosas de Van Gogh e de Georges Seurat.
O Jugendstil apresentou duas tendências principais, com desenvolvimentos geográficos específicos. Uma delas, que era também conhecida por Secessão, encontrava-se sediada em Munique e surgiu em 1882, sendo pioneira na introdução das formas Arte Nova na Alemanha. Seguiu-se o grupo de Berlim, formado em 1899, tendo como presidente Mac Liebermann.
Tal como os movimentos congéneres da Arte Nova e do Modern Style, o Jugendstil encontra as suas mais interessantes manifestações no campo da arquitetura, das artes aplicadas (mobiliário, joalharia e vidros) e das artes gráficas (gravura e ilustração).
Franz von Stuck foi o mais notável pintor deste movimento (conhecido pelos seus retratos eróticos de mulheres), destacando-se ainda o trabalho do pintor Otto Eckmann.
Na arquitetura distinguem-se o arquiteto August Endell, que trabalhou em Munique, Bruno Taut, pioneiro no uso de grandes planos envidraçados, e o belga Henry van de Velde, autor do teatro do Werkbund.
A colónia de artistas de Darmstadt, formada de 1899, reuniu alguns dos principais artistas deste movimento e possibilitou a realização da primeira Gesamtkunstwerk (obra de arte total), que incluía o planeamento urbano, a arquitetura, a escultura, a pintura e as artes aplicadas.
O Jugendstil representa a mais significativa contribuição dos artistas alemães para a consolidação e o desenvolvimento das chamadas artes aplicadas (ou seja, daquilo que posteriormente se designou por Design), na transição do século XIX para o período modernista.
No entanto, um aspeto menos positivo e que terá determinado por parte da historiografia da arte uma apreciação negativa deste período foi a gradual transformação das suas propostas formais e estéticas num novo academismo fácil e superficial, que rapidamente caiu num barroquismo formalista que acompanhava a produção de banais objetos industriais.
O grupo desfez-se em 1925, no entanto, o Jugendstil apresentaria reprecussões importantes no desenvolvimento do futuro movimento expressionista do Die Brücke.
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