Junta dos Matutos

A Junta dos Matutos, de cariz conservador, foi nomeada a 23 de setembro de 1822 e extinta em dezembro de 1823. Para presidente foi escolhido Afonso de Albuquerque Maranhão. Entre os seus membros contava-se Francisco Paes Barreto, cuja nomeação, após a extinção da Junta, para governador haveria de despoletar os protestos dos pernambucanos e levar à constituição da Confederação do Equador.
Em 1821 iniciou-se um movimento emancipador em Pernambuco, ao organizar-se a Junta de Goiana, composta por proprietários rurais, ligados à maçonaria e certos membros da cidade de Recife. Atuava como um governo paralelo que se opunha ao do governador Luís do Rego Barreto. A situação agudizou-se e o governador abandona Pernambuco a bordo de um navio francês rumo à Europa. Na sequência destes acontecimentos, formou-se um governo provisório encabeçado pelo comerciante Gervásio Pires Ferreira, que já participara na revolução de 1817. José Bonifácio, regente no Rio de Janeiro, envia um emissário para convencer a Junta Gervasiana a aceitar o príncipe D. Pedro como herdeiro legítimo do Brasil. Mas os defensores da república em Pernambuco não vacilam e a Junta é deposta a 17 de setembro de 1822. Em substituição, foi organizada a Junta dos Matutos, assim chamada por ser constituída maioritariamente por proprietários rurais fiéis a D. Pedro. As questiúnculas internas, que opunham republicanos a partidários do governo acabaram por levar à falência da Junta dos Matutos que se extinguiu em dezembro de 1823.
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