Kenzo

Estilista japonês Kenzo Takada nasceu em 1939, em Kyoto, e desde criança teve uma adoração pela moda. Em criança via inúmeras revistas de roupa na companhia das irmãs mais velhas e começou a desenhar e a fazer vestuário para bonecas. Depois de ter estudado línguas estrangeiras na Universidade em Kobe durante uns meses, resolveu fazer uma viragem na sua vida quando soube que uma famosa escola de estilismo de Tóquio ia aceitar a inscrição de homens pela primeira vez. Os pais não aceitaram muito bem esta ideia e não lhe deram apoio financeiro, o que levou Kenzo a ter de trabalhar em vários empregos quando se mudou para Tóquio para preparar o exame de admissão na escola. Depois de seis meses de muito estudo e trabalho a escola ficou impressionada e Kenzo foi aceite. A mãe também se rendeu à sua perseverança e resolveu ajudá-lo a pagar as despesas em Tóquio. A experiência deu resultado já que Kenzo acabou por receber um prestigioso prémio da escola em 1960.
Depois de ter estudado arte e de se ter licenciado no Japão, ainda trabalhou durante algum tempo no seu país, mas no inverno de 1964 mudou-se para Paris. Aí, num dos centros mundiais da moda, trabalhou para várias marcas, como a Feraud, antes de se estabelecer por conta própria em 1970 com a abertura da loja Jungle Jap. Para as suas criações, Kenzo foi buscar inspiração às roupas tradicionais japonesas, assim como a alguns países não industrializados, adotando cores vivas e formas pouco usuais para os gostos ocidentais. Desse modo, tornou-se uma das maiores referências da moda durante a década de 70, até porque o vestuário que criava era bastante confortável.
Kenzo também tinha muitas preocupações quanto à qualidade das roupas e, na década de 90, depois de já ter aberto lojas em Londres, Nova Iorque e Milão, lançou-se também no negócio da confeção de tecidos.
Em 1993 a casa Kenzo foi comprada pela Louis Vuitton Möet Hennessy (LVMH) e seis anos depois Kenzo anunciou a sua retirada da criação de roupas. Foi uma saída em grande, com um extravagante show de moda que assinalou os trinta anos da carreira do estilista nipónico. Mais do que a coleção primavera/verão 2000, o que marcou o show foi a festa de homenagem a Kenzo, com o próprio a aparecer, no final, descendo do teto da sala.
O japonês foi substituído na criação das roupas Kenzo por dois estilistas que já trabalhavam consigo há alguns anos, contrariando uma tendência da LVMH de apostar para as marcas do grupo em talentos com nome feito. Mas esta última aposta deu bons resultados, já que o processo de transição correu de forma excelente e foram mantidas as principais características da Kenzo.
Como referenciar: Porto Editora – Kenzo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-19 05:44:03]. Disponível em