Kobo Abe

Romancista, contista e dramaturgo futurista japonês, Kobo Abe nasceu a 7 de março de 1924, em Tóquio. Filho de um médico universitário, cresceu em território chinês ocupado pelos japoneses, na Manchúria. A distância do seu país natal propiciou o seu contacto com a cultura ocidental. Assim, o jovem Kobo Abe interessou-se, não só pelas matemáticas e pela Entomofilia, como também pela Filosofia, sobretudo a de Karl Jaspers, Friedrich Nietzsche e Heiddeger.
Kobo Abe retornaria ao Japão em guerra em 1941, ingressando, dois anos mais tarde, na Universidade de Tóquio como estudante de Medicina. Dado como inapto para o serviço militar devido a problemas respiratórios, veio no entanto a servir na Manchúria e, após a derrota do Japão, foi repatriado juntamente com as tropas retirandas da China. Retomou então o seu curso universitário. A experiência da guerra determinou as suas vocações. Licenciou-se em Medicina no ano de 1948 com a promessa de nunca vir a exercer a sua profissão.
Como tinha já escrito o seu primeiro livro em 1943 e publicado, em 1947, em edição do autor, uma coletânea de poemas, decidiu, em consequência, dar início a uma carreira com escritor, tendo-se então tornado membro da tertúlia literária liderada por Kiyoteru Hamada, inspirada pela tentativa de fusão da estética surrealista com a ideologia marxista. Ganhou uma certa reputação em 1948, com a publicação do romance Owarishi Michi No Shirube Ni, que não primava pela técnica literária, rígida e formal, mas que assumia uma certa preferência pelo mundo das ideias. Continuando por uma senda mais experimentalista, foi bem acolhido pelas gerações mais jovens, pelo que chegou a receber prémios literários pelos seus três contos Akai Mayu (1950, O Casulo Vermelho), Kabe (1951) e S. Karuma-shi no Hanzai (1951), utilizando, neste último, um estilo e um tema de género kafkiano.
A tendência prosseguiu e veio a caracterizar definitivamente a obra do autor. Assim, em 1959, publicou Daí-Yon Kampyoki, um romance complexo, cuja ação decorre no futuro, num Japão ameaçado pelo degelo dos polos terrestres, e cujas personagens vão deparando com situações surrealistas. Seguir-lhe-ia, entre outros, Suna Na Onna (1962, Mulher Nas Dunas), que seria passado a cinema pelo realizador Hiroshi Teshigahara, e Moetsukita Chizu (1967, O Mapa Arruinado), em que estabelece um panorama da Humanidade, cada vez mais alienada e buscando formas incongruentes de reutilização dos objetos de uso quotidiano.
Dedicando-se também ao teatro, Kobo Abe tornou-se, na década de 70 e com a morte de Yukio Mishima, um dramaturgo de forte reputação, assegurada por peças como Hako Otako (1974, O Homem da Caixa), em que conta a história de um homem que se retira da sua vida normal para se dedicar à observação da azáfama da cidade de Tóquio através de uma caixa de cartão que enfiou na cabeça. A sua própria companhia de teatro fez digressões pelos Estados Unidos, chegando a atuar em Nova Iorque.
Kobo Abe veio a falecer a 22 de janeiro de 1993.
Como referenciar: Kobo Abe in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-02-26 16:54:27]. Disponível na Internet: