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Lagoa (Açores)

Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, Lagoa localiza-se na ilha São Miguel, ilha pertencente ao grupo oriental do arquipélago dos Açores e que se insere na Região Autónoma dos Açores RAA (NUTS I, II e III)
Em 2005, o concelho apresentava 14 214 habitantes.
O concelho é limitado a norte por Ribeira Grande, a oeste por Ponta Delgada e a este por Vila Franca do Campo, e a sul pelo Oceano Atlântico. Ocupa uma superfície de 45,6 km2, distribuída por cinco freguesias: Água de Pau; Nossa Senhora do Rosário; Ribeira Chã; Santa Cruz e Cabouco. O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos. O relevo é integrado na ilha de São Miguel, sendo caracterizado por basalto e andesito, em que se destacam as seguintes formações geológicas: Lamego (299 m), Ponta dos Carreirões, Ponta de Lagoa e Ponta de Água de Pau.

História e Monumentos
Lagoa é um dos concelhos da ilha de S. Miguel, uma das primeiras ilhas do arquipélago a ser descoberta em 1427 pelo navegador português Diogo de Silves. Lagoa é, por isso, uma das primeiras vilas dos Açores, tendo recebido foral de vila e de concelho a 11 de abril de 1522. A origem do nome Lagoa deve-se à existência de uma lagoa na povoação, mas que já não existe.
A grande fertilidade dos solos e a localização estratégica nas rotas entre a Europa e a América da ilha de S. Miguel justificam o acentuado crescimento económico desta região. Neste concelho em particular, predominavam as culturas de trigo, pastel e vinha. O seu porto contribuiu para o desenvolvimento económico do concelho, permitindo a exportação de trigo e a pesca. A cultura da laranja no século XVIII e sua exportação trouxeram ainda mais prosperidade ao concelho. Com a doença que destruiu os laranjais, estes foram substituídos pela cultura de ananases.
A indústria no concelho começou com as fábricas de cerâmica e destilarias de álcool no século XIX, abrangendo mais tarde a produção de óleo vegetal, sabão e rações.
Do património arquitetónico existente no concelho destaca-se o de cariz religioso, de que são exemplo: a Igreja Matriz de Santa Cruz (século XVI), com as suas abóbadas em estilo manuelino, e o púlpito proveniente da igreja do antigo Convento de S. Francisco, de Ponta Delgada; o Convento dos Franciscanos e a sua Igreja de Santo António (século XVIII), que possui uma fachada barroca, o altar-mor em talha e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição; o Convento dos Frades Capuchos, que data de 1749; a Capela de Nossa Senhora do Cabo Finisterra (início do século XVIII), com a fachada em azulejo da época; a Capela de Nossa Senhora dos Remédios (século XVI), salientando-se o frontal com azulejos hipano-árabes e uma imagem de roca de N.ª Senhora e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (século XVIII), que apresenta três naves e esculturas de Machado de Castro que datam do século XVIII. É também de realçar alguns edifícios, como os Paços do Concelho (século XIX) e as casas nobres de S. Miguel, o Solar do Fisher e a Casa da Atalhada, com portões armoreados, pátio e pedra trabalhada.

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo, celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam ao tempo dos primeiros colonos, que pediam a proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Em agosto, decorre o Festival de Marisco, para promover o consumo de marisco.
A nível de artesanato, é de destacar a cerâmica vidrada, muito apreciada pelas formas e arte, que vai desde peças utilitárias até azulejos e objetos de decoração. É ainda digno de nota o artesanato próprio da ilha, que consiste na elaboração de flores de escamas de peixe, de papel, de penas ou de pano; capachos de folhas de milho e espadana; trabalhos de vime, bordados de linho, bonecos de folhelho de milho com trajes tradicionais, as colchas coloridas tecidas manualmente e os barretes de lã.
Ainda no aspeto cultural, são de referir o Museu da Lagoa, que alberga o património etnológico da cidade, e o Museu do Presépio Açoriano, onde se expõem as figuras de presépios produzidas no concelho.

Economia
Lagoa é um concelho essencialmente dedicado ao setor primário na área da agricultura, em que 45,4% da área do concelho é destinada à produção agrícola. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se o do ananás dos Açores, para além das culturas forrageiras, culturas permanentes de batata, citrinos e frutos subtropicais, culturas industriais, prados, pastagens permanentes e prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies de criação de gado, havendo também lugar para a criação de aves.
A região apresenta uma área florestal de 105 ha, salientando-se as espécies acácia, criptoméria, eucalipto, pau-branco, cedros, zimbros e loureiros como as mais abundantes.
O setor secundário é bastante diversificado. Existem no concelho indústrias de laticínios, relacionadas com o forte setor agropecuário. Lagoa é o centro da indústria cerâmica da ilha e a beleza e fama das suas peças ultrapassaram as fronteiras do arquipélago. Para além destas, encontram-se igualmente no concelho indústrias de rações, de óleos vegetais e de sabão, bem como destilarias de álcool. No setor terciário o destaque vai para o comércio e serviços relacionados com o turismo.
As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar no concelho e por toda a ilha consistem na prática de golfe, ténis, vela, windsurf, remo, escaladas, passeios, mergulho, observação e fotografia submarinas e pesca.
Como referenciar: Lagoa (Açores) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-11-23 22:30:42]. Disponível na Internet: