Lajes do Pico


Aspetos Geográficos
Lajes do Pico localiza-se na ilha do Pico, ilha pertencente ao Grupo Central do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado a norte por São Roque do Pico, a oeste por Madalena, e a sul e leste pelo oceano Atlântico, ocupando uma superfície de 155,3 km2. Integra-se na Região Autónoma dos Açores (RAA) (NUT I, II e III) e distribui-se por seis freguesias: Calheta de Nesquim; Lajes do Pico; Piedade; Ribeiras; São João e Ribeirinha.
Em 2005, o concelho apresentava 4900 habitantes. O clima nesta região é temperado marítimo, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras das Velhas, de Santa Bárbara, do Cabo e do Carvalhal. O relevo é montanhoso, de origem vulcânica, e predominam os basaltos e outras rochas vulcânicas. Os principais acidentes geográficos são: Cabeço da Lança (712 m), Terras Chãs (720 m), Pico Geraldo (459 m), Ponta do Castelete, Calheta de Mesquim e Ponta do Arrife.

História e Monumentos
Lajes do Pico constitui a povoação mais antiga da ilha, tendo sido o centro baleeiro mais importante do arquipélago.
A população do concelho, tal como em toda a ilha, vivia essencialmente da cultura da vinha, pomares e da pesca. As erupções vulcânicas no século XVIII tornaram o solo muito fértil, o que resultou na produção de um vinho chamado verdelho, muito apreciado e exportado para a América e a Europa, chegando a países tão longínquos como a Rússia. No entanto, no século XIX, a doença das vinhas, o oídio, devastou as culturas de vinha, cuja recuperação está a ocorrer lentamente e com base em novas castas.
Do património arquitetónico existente no concelho destaca-se a igreja matriz, concluída em 1967, que possui cantaria em basalto e denota a influência gótica do edifício original. É também de salientar a Igreja de São Pedro, que foi o primeiro templo do Pico e serviu durante algum tempo de igreja paroquial, e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Para além das igrejas, existem diversas capelas, nomeadamente a de Santa Catarina, a de São Sebastião e a de São Bartolomeu.

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que pediam a proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Para além desta festa, que é celebrada praticamente em todas as ilhas, decorre na última semana de agosto a festa dos Baleeiros, que remonta a 1883, em que os baleeiros se integraram nos festejos de Nossa Senhora de Lourdes.
No artesanato destacam-se as rendas de croché com motivos tradicionais e modernos, os chapéus de palha, as esteiras de junco, várias peças esculpidas em dente de cachalote, que representam veleiros, cenas de caça às baleias e sereias.
No que se refere a espaços culturais, o concelho possui dois museus: o Museu Etnográfico e o Museu dos Baleeiros. Este último, único na Europa, possui embarcações de pesca artesanal da baleia, utensílios e instrumentos utilizados pelos baleeiros, e apresenta outros aspetos da vida do baleeiro do Pico. É de destacar a canoa baleeira, considerada a mais elegante e perfeita do Mundo.

Economia
Em Lajes do Pico o setor primário, na área da agricultura, constitui o principal setor de atividade económica. A área agrícola ocupa cerca de 56,6% da área total deste concelho. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, as culturas permanentes de batata, vinha e citrinos, as culturas temporárias de cereais para grão, prados, pastagens permanentes e prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies.
A região apresenta uma razoável densidade florestal, 35% da área do concelho, que corresponde a 834 ha de área florestal, salientando-se as espécies cedros, zimbros, faias e acácias como as mais abundantes.
O setor terciário centra-se no turismo.
As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar por toda a ilha consistem na observação das baleias, mergulho, banhos nas piscinas naturais, caça, montanhismo - com destaque para a escalada da montanha mais alta de Portugal, o Pico -, espeleologia, passeios panorâmicos e caminhadas.
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