Latim

O latim, língua oficial do Império Romano, foi a pedra basilar para a edificação do que seriam as línguas românicas, ocorrendo esta evolução linguística sobretudo a partir da Idade Média. Difundido sobretudo entre os séculos VI e XIV, era utilizado maioritariamente pelos estratos mais cultos da sociedade, como o clero (são exemplos a Cúria Romana e a liturgia da Igreja Católica) e as chancelarias régias. Tal deve-se ao facto de a debilitação e término do Império Romano ter abalado a unidade linguística até então existente e começarem a sobrepor-se progressivamente as línguas e dialetos autóctones ou proto-românicos. Contudo, e dada a importância e a preponderância incontestáveis do latim até esta data, todas as chamadas línguas românicas se basearam na estrutura e na semântica latinas. Note-se que o latim falado no mundo romano se diferenciava de região para região e era intitulado de latim "vulgar" ou sermo vulgaris, pois era também influenciado pelos dialetos pré-existentes, que finalmente se sobrepuseram com marcas evidentes do latim por volta do século IX fazendo emergir as chamadas línguas românicas. Cerca do século VIII, Carlos Magno fez uma tentativa de ressuscitar a essência do Império Romano, tendo-se dado, portanto, extrema importância ao latim. Alcuíno de Iorque, originário de Inglaterra, e Paolo Diacono, italiano, foram algumas das mais relevantes personalidades que colaboraram no processo de reconstituição cultural levado a cabo durante o Império Carolíngio, que contudo não travou o crescimento e uso das línguas românicas. Em Portugal, foi no ano de 1296 que o latim deixou de ser a língua oficial, tomando o português o seu lugar.
Foi também na época medieval que se assistiu ao surgimento de um latim convencionado para o ensino nas recém-criadas universidades, ao qual se deu o nome de latim "escolástico". Esta era a única língua escrita e falada nestas instituições, na qual se inseriram novas palavras e expressões adequadas aos conceitos também novos que as mais diversas ciências tinham elaborado à medida que progrediam. Com o advento do Humanismo e do interesse pela cultura das civilizações clássicas em Itália, no século XIV, surge também o estudo da filologia clássica, na qual se destacaram nomes como Coluccio Salutati, Lorenzo Valla, Petrarca e Marsilio Ficino.
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