Latino Coelho

Militar, professor, jornalista, crítico, historiador e romancista, José Latino Coelho, personagem versátil do Romantismo português, nasceu a 29 de novembro de 1825, em Lisboa, oriundo de uma família de militares. Com apenas dezanove anos, conquistou uma cátedra na Escola Politécnica de Lisboa (Mineralogia e Geologia). Começou por destacar-se como historiógrafo, publicando entre 1874 e 1891 os três volumes da História Política e Militar de Portugal desde os Fins do XVIII Século até 1814, seguidos de uma série de biografias históricas, como as de Luís de Camões (1884) e Vasco da Gama (1884). O seu principal legado para a história literária situa-se no âmbito da crítica, tendo deixado uma imensa colaboração repartida por periódicos como O Panorama (1837-1868), A Época (1848-1849), Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Artes e Letras (1872-1875) e A Semana (1850-1852), de que foi fundador. Neste jornal apontou novos rumos para o Partido Regenerador, ao qual esteve ligado por muito tempo. Foi-lhe atribuída a categoria de Par do Reino e, em 1868, o Marquês de Sá da Bandeira convidou-o para integrar o ministério, empossando a pasta da Marinha e Ultramar. A sua ação ficou marcada pelo decreto de 23 de fevereiro de 1869, que promulgou a supressão da escravatura em todos os territórios portugueses. Depois desta passagem pelo poder, Latino Coelho ainda se distinguiu no ataque ao governo do duque de Ávila. Acabou por se afastar progressivamente da política, tendo abandonado o Partido Regenerador e começado a dedicar-se à escrita, ao ensino e às funções de secretário perpétuo da Academia das Ciências de Lisboa. Ainda que com reduzido protagonismo, chegou a filiar-se no Partido Republicano nascente. Faleceu em Sintra, a 29 de agosto de 1891.
Muita da sua atividade crítica e de teorização literária viria a ser recolhida nos volumes póstumos Garrett e Castilho (1917), Arte e Natureza (1923) e Literatura e História (1925), da mesma forma que a colaboração dispersa pela imprensa não literária deu origem à antologia Tipos Nacionais (1919).
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