Legião Estrangeira

Corpo de tropas estrangeiras criado a 9 de março de 1831 devido à necessidade de reforços na guerra da Argélia. A Legião Estrangeira, composta por militares não franceses dirigidos por oficiais, esses sim, de naturalidade francesa, foi criada pelo rei Luís Filipe de França. Esta Legião, que não seria dividida em regimentos consoante as diferentes nacionalidades (conforme tinha sido prática em épocas anteriores) mas mista, seria o corpo principal de intervenção militar francês tanto na Europa como nas regiões ultramarinas. No seu início foi composta sobretudo por revolucionários estrangeiros, que se podiam alistar declarando apenas a identidade, e por militares que não estavam no ativo. Sidi bel Abbès seria a sede desta Legião na Argélia a partir de 1843, e em 1835 parte deste corpo passou a servir de reforço às tropas espanholas de Isabel II contra os revolucionários carlistas, por cedência francesa. Foi igualmente nesta altura que o francês se tornaria a língua única de comando. A necessidade de reforços na Argélia continou a fazer-se sentir, pelo que o rei Luís Filipe decidiu criar uma nova Legião Estrangeira a 16 de dezembro de 1835, que cinco anos depois se dividiria em dois regimentos. Muitos foram os combates travados por estes corpos, desde o cerco de Sebastopol na Crimeia (guerra que se estendeu de 1854 a 1856) a Solferino e Magenta em Itália, no ano de 1859, e ao combate de Camerone no México (1863). Em 1870 travariam os primeiros combates na França continental, face à Prússia, e inaugurar-se-ia a inserção de voluntários na Legião Estrangeira. Durante a Primeira Guerra Mundial a Legião Estrangeira sofreu uma nova organização, formando-se o Regimento de Marcha a 11 de novembro de 1915. A Síria, a Líbia e Marrocos seriam os principais pontos de atuação da Legião Estrangeira em 1920, e dezanove anos depois, no início da Segunda Guerra Mundial, esta contaria com um corpo de cerca de 45 000 homens, o maior até então. Neste cenário de guerra a Legião Estrangeira destacar-se-ia na Indochina, resistindo aos ataques japoneses de março de 1945 e, entre 1946 e 1954, combatendo na Guerra da Indochina. Em 1962 foram criadas diversas guarnições da Legião em Djibouti, Madagáscar, nas Comores, na Guiana e na Polinésia, tendo sido esta última a fazer os preparativos necessários aos ensaios nucleares franceses. Ativos na Tempestade do Deserto e na manutenção da paz ao serviço da ONU, os corpos da Legião Estrangeira possuem uma tal importância no quadro militar francês e mundial que lhes foi inclusivamente dedicado um museu em Aubagne, França.
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