leis Anti-Anarquistas

O anarquismo foi uma doutrina política com algum eco em Portugal, introduzida no final do século XIX, e que no início do século XX desempenhou um papel social bastante importante, através do movimento operário. No final da década de 40, este movimento apagou-se, vindo a ressurgir na Revolução de abril de 1974.
Esta ideologia partiu, sobretudo, da França, mas o anarquismo português foi mais do que uma réplica do francês, estando em contacto com outros países e levando a sua ideologia política até ao Brasil.
Em Portugal a corrente anarquista mais popular era a do anarquismo social, muito ligado ao sindicalismo operário, de onde surgiu a CGT. Apesar da preponderância desta tendência, isto não quer dizer que fosse uma corrente homogénea. Havia os adeptos dos sindicatos; os críticos dos sindicatos; partidários de um anarquismo de influência espanhola e argentina, representando o movimento operário anarquista; os moderados, seguidores do sindicalismo-revolucionário francês; e os anarquistas individualistas. Os autores mais relevantes do anarquismo português foram Silva Mendes (o precursor), Campos Lima, Emílio Costa, Neno Vasco e Adolfo Lima; os centros de propagação desta ideologia mais ativos eram "O Grupo de Propaganda Libertária do Porto" (1904-1925), os editores da revista lisboeta "A Sementeira", o grupo "O Semeador", de Emílio Costa, associado ao "Germinal", entre outros. Contudo a propaganda era veiculada através de pequenos grupos, pelos centros culturais, e por federações como as Federações Anarquistas do Norte e do Sul.
No programa anarquista constavam a emancipação da mulher, as teorias neo-malthusianas, e o antimilitarismo; todavia, estas reivindicações pacifistas eram por vezes acompanhadas de atividades terroristas, sabotagens e insurreições. Neste contexto inscreve-se o atentado contra Salazar, em 1937.
Após o golpe militar de 28 de maio de 1926, a CGT, a estrutura preponderante do movimento sindical português, ameaçou preparar uma greve monumental que atingisse a ditadura, mas no entanto esta ficou sem efeito.
De 1927 em diante a CGT foi obrigada pelo governo ditatorial a deixar de funcionar numa base regular, entrando na clandestinidade, mais rígida depois da derrota do movimento, a 18 de janeiro de 1934. Até 1933 o movimento operário organizado preocupava-se essencialmente com a defesa do livre sindicalismo, mas até 1931 só podiam estar na retaguarda do reviralho. Na sequência desta atividade, a CGT decretou a greve geral no Barreiro, no decurso das revoltas de 7 de fevereiro de 1927, e da de julho de 1928.
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