Leite Pereira

Político, jornalista e teólogo português, Domingos Leite Pereira nasceu a 19 de setembro de 1882, em Braga, e faleceu a 27 de outubro de 1956, no Porto. Licenciou-se em Teologia na Universidade de Coimbra, vindo depois a cursar o Curso Superior de Letras, onde teve como professores alguns dos vultos da literatura portuguesa de então, entre os quais se destaca Teófilo Braga. Mas foi como jornalista e ativista dos ideais republicanos que começou a ser notado. Redator do jornal Pátria e colaborador em diversos outros jornais (como o Primeiro de janeiro ou o Diário de Notícias), distinguiu-se também como orador inflamado. As suas áreas privilegiadas de abordagem eram a política, a educação, as artes e a literatura, assuntos internacionais ou a pura polémica. A sua carreira política efetiva começou na presidência da câmara municipal da sua cidade natal, Braga, localidade que procurou adaptar à nova realidade política nacional iniciada em 1910. Em 1911, era já deputado da Assembleia Nacional Constituinte, célebre pela promulgação da "Constituição de 1911", conhecida pelo seu anticlericalismo e laicismo. Como parlamentar, foi ainda delegado da Câmara de Deputados à Conferência Interparlamentar de Comércio.
Na sua ascensão política, foi por três vezes chefe de governo na I República: 30 de março a 29 de junho de 1919; 21 de janeiro a 8 de março de 1920; 1 de agosto a 17 de dezembro de 1925. Foi ainda ministro, em vários governos, das seguintes pastas: Instrução Pública, Interior, Negócios Estrangeiros e Colónias. Foi ainda presidente da Câmara de Deputados, onde foi uma figura respeitada e admirada por todos os grupos parlamentares. Era, de facto, considerado um político de grande craveira moral, abnegado e de grandes faculdades, tendo ganho imenso prestígio pelas instituições onde passou e cargos que desempenhou. Na pasta da Instrução Pública, por exemplo, conquistou a simpatia dos professores, facto inédito entre os titulares desse cargo, principalmente junto dos docentes do ensino primário, que o chegaram mesmo a homenagear.
Uma das suas glórias foi o seu empenho pela normalização e melhoria das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé, toldadas pelos ventos anticlericais e profundamente laicos trazidos pela República em Portugal. O processo de restabelecimento das relações ao nível de Estado foi difícil e moroso, tendo conhecido progressos não só graças à argúcia e sensibilidade política e aos conhecimentos que tinha como teólogo que era, mas também devido à inteligência e capacidades do núncio Monsenhor Achille Locatelli, representante então do Vaticano no nosso País e futuro cardeal (11 de novembro de 1922). Era presidente da República António José de Almeida (1919-1923), o Chefe de Estado não real que veio a impor o barrete cardinalício a Locatelli, em 3 de janeiro de 1923, pois até então o Vaticano exigia que fosse um rei a fazê-lo, tal como era tradição desde o reinado de D. João V. Como Portugal era então uma República, muito teve Leite Pereira que trabalhar e insistir para que a Santa Sé recuasse na sua posição, o que aconteceu.
Leite Pereira foi ainda dirigente do Partido Republicano Português e líder da respetiva formação parlamentar na Câmara de Deputados. Exerceu igualmente funções letivas das cadeiras de Filosofia e Literatura Latina. Foi ainda presidente do conselho de administração da companhia seguradora "Douro". Recebeu também inúmeras condecorações em Portugal e no estrangeiro.
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