lente acromática

Os telescópios refratores, utilizados desde há quatro séculos, são compostos basicamente por duas lentes convergentes, uma que se situa na frente do telescópio e que é muitas vezes chamada de objetiva, e uma segunda colocada na extremidade oposta do tubo que segura as duas lentes, chamada de ocular, sendo por esta que se pode aproximar o olho humano para observar através do telescópio. Os telescópios refratores que ainda hoje se utilizam seguem a mesma lógica, mas usam habitualmente vários conjuntos de lentes de forma a corrigir alguns erros que são de origem natural nas lentes. Um desses erros chama-se aberração cromática e que é uma consequência do coeficiente de refração ser tanto maior quanto menor for o comprimento de onda. Isto é, a cor azul que se situa no extremo dos comprimentos de onda mais curtos do espetro da luz visível é mais desviada por uma lente que um comprimento de onda mais longo, como o caso da cor vermelha. Este facto não é um defeito de fabrico, mas uma característica inerente às lentes, e leva a que o foco da cor azul seja mais curto que o da luz vermelha. Para minorar este facto, passou a utilizar-se duas lentes acopladas, sendo os coeficientes de refração de cada uma delas diferente, de modo a compensar a aberração cromática efetuada por uma só lente. Assim, usa-se uma lente convergente de cristal leve e uma outra lente divergente de cristal pesado. Escolhendo-se cuidadosamente as curvaturas das quatro superfícies pode-se reduzir substancialmente o erro inical. Tem-se assim uma objetiva acromática, que também se pode designar de doblete acromático visual. Será igualmente necessário corrigir as aberrações da ocular. Do mesmo modo deverá usar-se duas ou mais lentes de modo semelhante ao descrito anteriormente.
Este método coloca o foco da luz azul e o da luz vermelha no mesmo ponto. No entanto, as outras cores intermédias terão ainda pequenos desvios, uma pequena aberração cromática para cores como o verde ou o amarelo. Dependendo da finalidade a dar ao telescópio, pode-se definir conjuntos de lentes acromáticas específicos de modo a que a aberração cromática residual seja mínima para as cores que mais nos interesse. Pode-se usar mais lentes ainda de modo a continuar a minimizar a aberração nas várias cores do espetro do visível.
No entanto, a única forma de eliminar totalmente a aberração cromática será usar um espelho como objetiva, corretamente combinado com um sistema de lentes, pois a luz não reflete de diferentes maneiras consoante o comprimento de onda.

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