Léon Bloy

Escritor e pintor francês, Léon Bloy nasceu a 11 de julho de 1846, em Périgueux. Filho de um engenheiro francês e de uma dama espanhola, era o segundo dos sete filhos varões do casal. Enquanto que o pai era austero, a mãe, profundamente religiosa, não pôde atender aos cuidados de todos os seus filhos.
León Bloy foi enviado para um colégio interno, mas logo se revelou um aluno medíocre e insubmisso, revoltando-se contra as doutrinas religiosas que faziam a essência da instituição. Procedeu a estudos por contra própria, dedicando também parte do seu tempo à pintura. Em 1862 terminou o seu famoso autorretrato pintado a óleo.
Abandonando o colégio, chegou a Paris em 1863, alimentando o sonho de se vir a tornar pintor. Não obstante, em 1869 e numa livraria, encontrou Barbey d'Aurevilly, cuja obra já conhecia. Desse encontro nasceu não só a firme decisão de querer ser antes escritor, como a sua reconversão ao cristianismo. Em 1871 alistou-se como franco-atirador na Guerra Franco-Prussiana, finda a qual tomou um emprego na sua terra natal. Regressando a Paris ao fim de três anos, trabalhou como guarda-livros nos caminhos de ferro, empregado numa livraria e ilustrador de manuscritos.
Em 1876 deu início a uma carreira jornalística, publicando crónicas que causaram mal-estar tanto nos meios católicos, como nos protestantes e ateus e, no ano seguinte, conheceu Anne-Marie Roulé, uma prostituta por quem se apaixonou e que decidiu converter ao cristianismo. Seria internada num manicómio em 1882, não sem ter prenunciado o Dia do Juízo Final.
Em 1884 publicou o seu primeiro livro, um estudo sobre a vida de Cristóvão Colombo intitulado Le Révélateur Du Globe. Dois anos depois surgiu Le Désespéré (1886), romance de carácter autobiográfico em que descrevia a sua ligação amorosa com Anne-Marie Roulé.
Casou em 1890 com Jeanne Molbeck, uma dinamarquesa e, vivendo em grande miséria, publicou Christophe Colomb Devant Les Taureaux (1890), que retomava a temática da sua primeira obra.
Seguiram-se, entre outros volumes, Salut Pour Les Juifs (1892), Histoires Désobligeantes (1894, Histórias Desagradáveis), La Femme Pauvre (1897) e Le Fils De Louis XVI (1899), tida como a sua melhor criação.
Nesse ano de 1899 decidiu mudar-se para a Dinamarca na companhia da família, mas acabou por regressar a Paris em 1900, onde os seus amigos o acudiram face à sua situação desfavorecida.
Com a deflagração da Primeira Grande Guerra em 1914, Léon Bloy recordou os horrores passados na Guerra Franco Prussiana de 1870-71, e o seu imaginário foi invadido por imagens pavorosas do Apocalipse, delirando num fervor religioso exagerado.
Léon Bloy faleceu a 3 de novembro de 1917.
Como referenciar: Léon Bloy in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-16 21:32:55]. Disponível na Internet: