linha da cor

Expressão utilizada para, simbolicamente, estabelecer divisões entre grupos étnicos em sociedades em que a cor da pele é determinante no estabelecimento do estatuto humano, social e político dos indivíduos. A linha da cor estabelece divisões na sociedade e afeta a forma como os indivíduos têm acesso à educação, ao emprego, à habitação, para além de lhes estabelecer em termos sociais e humanos limitações reais, como a possibilidade de uma menor mobilidade social e um menor acesso aos seus direitos fundamentais. A linha de cor pode ser associada a um sistema social de divisão por castas baseado na origem étnica dos indivíduos.
Quase todos os países multirraciais têm distinções formais, mais ou menos segregacionistas, relativas à cor da pele, normalmente classificações de um lado "branco" e de outro lado "negro", "não branco" ou "de cor". Na democracia dos EUA, por exemplo, a ascendência africana dos indivíduos foi ao longo dos tempos classificada como "preto", "negro", "de cor" e, mais recentemente, "afro-americano". Durante o regime de segregação racial do apartheid na África do Sul, existiam quatro distinções raciais: "brancos", "de cor", "indianos" e "negros". Algumas sociedades nas Caraíbas utilizam as distinções de "branco", "mulato" e "negro". A linha da cor estabeleceu ao longo dos tempos várias restrições, das quais o casamento era uma das mais defendidas pelas sociedades racistas. Nos EUA, até à década de 60, o casamento entre indivíduos de raça diferente era proibido. O mesmo aconteceu na África do Sul, durante o apartheid, em que tanto o casamento como as relações sexuais inter-raciais eram punidas com prisão, ao mesmo tempo que o governo promovia a criação de bilhetes de identidade com a classificação étnica dos indivíduos.
Em países como o Brasil, Cuba ou Cabo Verde a linha da cor é praticamente inexistente devido a uma quase completa miscigenação dentro da sociedade. Nestas sociedades não é raro, dentro da mesma família, existirem grandes variações de cor de pele, de tal forma que muitas vezes nem existe a "consciência de cor" dentro dessa sociedade, apenas quando os indivíduos saem dela e se confrontam com outras sociedades.
Na Península Ibérica aconteceu um fenómeno interessante de assimilação da população negra que, a partir do século XV, começou a ser deslocada com o tráfico da escravatura, a exemplo do que já tinha acontecido com outros povos que fazem parte da herança étnica e cultural da Península, como fenícios, gregos, romanos, árabes e judeus, entre outros.
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