literatura provençal

A literatura na linguagem provençal iniciou-se no século IX quando alguns padres e monges começaram a traduzir orações, hinos, contos e lendas religiosas para essa linguagem, por forma a aproximar o povo da Igreja. No entanto, foi no século XII que começou a afirmar-se a lírica provençal, com nomes como Bertrand de Born, Arnaud Daniel e Guiraut de Bornelh.
Julga-se que as origens da poesia provençal se relacionem com artistas ambulantes de classe baixa cujos espetáculos incluíam diversões com animais, cantigas e récitas/declamações. Teria sido a partir do contacto com estes espetáculos que os trovadores teriam surgido no seio da Corte, refinando e aristocratizando algumas das características destas manifestações.
No contexto do lirismo provençal, o amor afirmava-se como um culto, quase uma religião. O trovador, na Corte e na literatura, comportava-se em relação à sua dama como o vassalo para com o seu senhor, prestando-lhe homenagem, servindo-a com fidelidade e combatendo por ela, se necessário. Não se tratava de uma relação sentimental a dois mas de uma aspiração em relação a um objeto inatingível. Além disso, o trovador obedecia a todo um código de comportamento, no qual se prescrevia, por exemplo, a manutenção do segredo da identidade da amada. As cantigas de amor dos trovadores refletem o sistema feudal então vigente nessa região do sul de França. As filhas dos senhores feudais casavam-se por motivos políticos e económicos. Os trovadores, geralmente de classe social inferior, prestavam-lhes homenagem amorosa, situando-se esta relação, contudo, num plano de quase idealidade ou contemplação platónica. Tratava-se, portanto, de um amor em que a poesia, a inteligência, a imaginação e os rituais de comportamento regidos por códigos desempenhavam um papel determinante.
A este ideal de amor correspondia um tipo idealizado de mulher de cabelos louros, olhar sereno, e sorriso delicado, que mais tarde reapareceria na Beatriz de Dante ou na Laura de Petrarca. De resto, todas as convenções temáticas desta poesia viriam desde então a influenciar tanto a literatura europeia como o comportamento social.
Esta influência marcou em especial Portugal e a Galiza, aí se difundindo nos séculos XII e XIII e dando origem à cantiga de amor, que segue o modelo da "cansò" provençal. A própria língua adotou numerosos provençalismos. Esta influência foi tão forte que o próprio D. Dinis achou por bem salientar as diferenças entre a lírica provençal e as cantigas de amor portuguesas, valorizando o sofrimento amoroso das segundas como mais autêntico do que aquele das primeiras: "Proençaes soen mui ben trobar/e dizen eles que é con amor;/ mais os que troban no tempo da frol/ e non en outro, sei eu ben que non/ an tan gran coita no seu coraçon.".
Para além da lírica amorosa, na literatura provençal medieval desenvolveram-se canções de gesta, "romances" de aventuras e biografias de santos, entre outras formas menos significativas, nomeadamente do género dramático.
O declínio da literatura provençal verificou-se principalmente por razões políticas, nomeadamente por altura da Cruzada contra os Albigenses, que arruinou um grande número de nobres dessa região.
Como referenciar: literatura provençal in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-17 12:11:16]. Disponível na Internet: