Livro de Crítica - Arte e Literatura de Hoje (1868-1869)

Livro que reúne vários ensaios de crítica literária, incluindo a conferência "A arte realista", proferida em 1868 na Sociedade de Agronomia. Começando por constatar as deficiências de que a crítica padece em Portugal ("Erguem-se aqui ou ali umas tendas de bugigangas literárias e de soprados encómios. Grasnam-se nuns soalheiros insalubres controvérsias de vaidades intolerantes e parvas hierarquias."), o autor preconiza a "crítica-ciência", a "crítica que não sacrifica a personalidades - no sentido vulgar da palavra - nem a intolerâncias de fanatismos, nem a popularidades de compadrio, nem à inviolabilidade tradicional de fórmulas e reputações, nem a irritabilidades de ignorâncias e vaidades". Revelando leituras de Taine, Comte e Renan, Luciano Cordeiro concebe a arte como reflexo do "ideal", o qual, no entanto, não é uma entidade absoluta, imutável ou impessoal, mas, pelo contrário, uma entidade relativa e variável em função do momento histórico, do espaço e do indivíduo. Para o autor, o positivismo domina as tendências da poesia moderna: "A arte nova, que teve a bafejá-la o panteísmo de Espinosa e a nova filosofia de Bacon; que encontra a cada passo o Positivismo invadindo e trabalhando os espíritos, ou a Ciência a impeli-los e a guiá-los; que vive ao lado dos Darwin ou dos Heckel: não pode eximir-se à compreensão estética das conquistas da moderna idade; à intuição da eterna harmonia e da eterna transformação da Existência universal."
Como referenciar: Livro de Crítica - Arte e Literatura de Hoje (1868-1869) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-23 22:30:25]. Disponível na Internet: