lobo ibérico

O lobo é o canídeo com maior distribuição geográfica natural. A sua grande capacidade de adaptação e organização social permitiram-lhe distribuir-se por uma vasta área, englobando quase todo o tipo de biótopos do Hemisfério Norte, excetuando a floresta tropical e os desertos áridos, desde o nível do mar até aos 3000 metros de altitude.
Atualmente, são conhecidas 32 subespécies do lobo, das quais apenas uma se encontra presente na Península Ibérica, sendo denominada de Canis lupus signatus. O lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento europeu, sendo mais pequeno e claro, com um peso entre 30-35 kg e uma altura de 70-80 cm ao garrote, apresentando um comprimento entre 131-178 cm para os machos e 132 -165 cm para as fêmeas. O pelo varia entre o acastanhado e o cinzento, sendo a muda para a pelagem de inverno entre outubro e novembro e, para a de verão, entre abril e maio. Os espécimes mais vulgares são acinzentados, com a zona dorsal castanho-amarelada, acentuadamente mesclada de negro, particularmente sobre o dorso. A zona ventral é clara, de tom branco amarelado, e o branco da garganta estende-se pelas faces. A cauda é acinzentada com uma mancha negra no terço anterior, tendo a ponta negra. Os membros dianteiros apresentam uma risca negra longitudinal na região anterior.
A longevidade do lobo ibérico, idêntica à do lobo cinzento europeu, é aproximadamente de 16 anos. A idade média do lobo em Portugal é de 2,5 anos, o que indica que, apesar do reduzido número de exemplares existentes no nosso país, a população é bastante jovem (pode fazer prever um incremento do número de indivíduos num futuro não muito distante). O lobo alimenta-se de ossos e de carne, tendo uma caixa craniana adaptada a uma atividade mastigatória forte e ao abocanhar, como método de caça. Os poderosos músculos mandibulares garantem-lhe uma pressão de esmagamento de 106 kg/cm2 (no Pastor Alemão, por exemplo, é de 53 kg/cm2). Sendo um dos poucos canídeos que captura presas maiores que ele após uma corrida curta e rápida, a sua estrutura física está preparada para uma elevada resistência e velocidade, tendo uma velocidade média de trote de aproximadamente 8 km/h, enquanto que em corrida é capaz de atingir os 70 km/h.
O lobo caça em grupos denominados alcateias, os quais constituem a sua unidade social básica. A alcateia é constituída por um casal dominante - casal alfa - e por mais alguns elementos - membros beta - num total de 6 a 7 lobos, todos unidos geralmente por laços consanguíneos, já que a alcateia é a potencial e exclusiva unidade de reprodução. Estal ocorre geralmente uma vez por ano no final do inverno. A fêmea dá à luz, numa toca, uma ninhada de três a sete lobitos, após um período de gestação de dois meses. As crias mantêm-se na alcateia, pelo menos até ao primeiro ano de idade, altura em que ou são integradas na hierarquia ou são expulsas. Os indivíduos expulsos, adultos solitários, procuram integrar-se noutras alcateias ou então estabelecer um território próprio, necessitando, para tal, de um companheiro do sexo oposto, igualmente solitário, a fim de formarem uma nova alcateia.
A nível alimentar, podemos dizer que nos últimos anos o lobo sofreu uma inversão ecológica: os hábitos próprios da espécie têm sido alterados, fruto da destruição dos biótopos e da humanização da paisagem, fatores conducentes ao desaparecimento das presas do lobo, sobretudo os grandes herbívoros. O consumo de gado doméstico tornou-se em muitas áreas, sobretudo as rurais, a principal fonte alimentar, visto se ter tornado no único, ou predominante, recurso presente. Em Portugal, o espetro alimentar caracteriza-se por uma escassa variedade e alta proporção de gado doméstico, com uma percentagem de somente 33,9 % de presas selvagens na alimentação.
A população mais abundante e equilibrada da Península Ibérica é a população Zamorano-Portuguesa, que ocupa toda a zona Norocidental da província de Zamora e a franja fronteiriça com o Norte de Portugal. As condições geológicas e topográficas (montanhas graníticas) impediram a explosão demográfica humana, levando assim à constituição de um refúgio ótimo para o lobo, o que, conjugado com o facto de nesta zona prevalecerem ainda alguns grandes herbívoros selvagens, lhe fornece boas condições para sobreviver: não há grande interferência com o homem e existe alimento em relativa abundância.
Em Portugal, embora o lobo tenha já ocupado quase todo o país, atualmente apresenta populações residentes somente nos distritos de Vila Real, Bragança e Viseu, podendo aparecer de uma forma esporádica em parte dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja - ainda que a sua passagem por aí seja pouco mais que esporádica ou ocasional. Assim, o lobo está restringido, praticamente, à área Norte de Portugal (acima do Douro), à zona situada entre a Serra de Montemuro e Figueira de Castelo Rodrigo, e ainda à Malcata.
Conscientes do acelerado ritmo de desaparecimento deste predador, muitos países adotaram medidas legais de proteção. Em Portugal, onde é considerado uma espécie vulnerável, o lobo desfruta do estatuto de espécie protegida desde 1988, conferido pela lei 90/88, bem como pela ratificação das convenções de Berna. Até 1974, a sua caça era permitida, de outubro a dezembro e de janeiro a março. Mais tarde, este período foi encurtado para um mês, até se atingir, no dia 13 de agosto de 1988, o estatuto de proteção total, pela já enunciada lei e ainda pelo decreto-lei n.º139/90, só sendo permitido o seu abate em condições excecionais, a determinar pelas autoridades competentes.
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