Lorenzo Ghiberti

Pintor italiano, nascido em 1378 e falecido em 1455, Lorenzo di Cione Ghiberti era filho de Ser Bonaccorto Ghiberti e estudou na oficina florentina do ourives Bartoluccio, nome pelo qual era conhecido Bartoli di Michele. Em 1400 foi-lhe encomendada a pintura de murais numa sala do palácio de Pandolfo Malatesta, deslocando-se assim o artista para Pesaro. No ano seguinte, deu-se o célebre concurso para as portas da face Norte do Batistério de Florença, que completaria a executada em 1338 por Andrea Pisano. Participaram neste concurso algumas das figuras mais relevantes deste tempo, como Filippo Brunelleschi e Jacopo della Quercia, mas foi Ghiberti que ganhou. O tema em relevo que apurou o finalista foi o Sacrifício de Isaac, conservando-se no Museo del Bargello de Florença os exemplares de Ghiberti e de Brunelleschi. Ghiberti, apesar de ser o mais novo dos concorrentes e de ainda patentear alguma influência gótica, demonstrou já possuir a inspiração clássica (apesar de só visitar a cidade de Roma por volta dos anos 1425/1430) que serviria de rumo ao Renascimento e as qualidades técnicas que lhe granjeariam fama. Estas portas em bronze demorariam vinte e um anos a ser concluídas (entre 1403 e 1424, sendo-lhe, após a finalização destas, encomendadas outras portas para o mesmo Batistério pela guilda Arte di Calimala) e contêm uma iconografia alusiva ao Novo Testamento, inserida em vinte e oito painéis quadrilobados e com as cabeças de quarenta e oito profetas nas molduras. Entretanto, foi aceitando outras encomendas, como desenhos para peças de ourivesaria e joalharia, vitrais para a catedral de Florença e mitras de papas, assim como as estátuas monumentais em bronze de S. João Batista (executada entre 1412 e 1415), S. Mateus (de 1419 a 1422) e S. Estêvão (de 1425 a 1429) para igreja das guildas em Orsanmichele. Entre 1420 e 1427 fez os relevos do Batismo de Jesus e S. João Batista perante Herodes em bronze da Fonte Batismal de Siena, entre 1425 e 1427 a placa do túmulo de Leonardo Dati e entre 1432 e 1442 os quatro relevos do relicário de S. Zenóbio, que se encontram ambos na catedral florentina, e o Museo Nazionale alberga outro escrínio com decoração da sua autoria, o dos santos Protus, Jacinto e Nemésio também chamado Urna dei Tre Martiri (encomendado em 1427 por Cosimo di Medici). As segundas portas do Batistério efetuadas por Ghiberti entre 1428 e 1452 (e que, pela excelência de execução foram apelidadas de "Portas do Paraíso" por Miguel Ângelo, segundo a tradição) foram esculpidas em dez painéis que, por sua vez, apresentaram temáticas do Antigo Testamento de iconografia talvez inspirada pelo humanista Leonardo Bruni. Mais uma vez se fizeram presentes as cabeças de vinte e quatro profetas, assim como o mesmo número de estatuetas em nichos, numa composição que prima por uma técnica mais evoluída, pelo emprego da perspetiva, por um marcado classicismo e pela complexa narrativa que apresentam. A importância de Ghiberti cresceu de tal modo que se tornou o maior artista do seu tempo em Florença, possuindo uma oficina que empregou muitos artistas, entre os quais Benozzo Gozzoli, Masolino da Panicale e Donatello, e que foi continuada pelo seu filho Vittorio depois da sua morte. Este artista deixou escrita uma autobiografia, a primeira conhecida de um artista ocidental, inserida num tratado técnico-artístico incompleto em três tomos, denominado Commentarii.
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