Lou Andreas-Salomé

Escritora germano-russa, Lou Andreas-Salomé nasceu a 12 de fevereiro de 1861, em São Petersburgo. Filha de um general do Exército do Czar, oriundo de uma família de Huguenotes franceses, Lou Salomé passou a sua infância num ambiente aristocrático, já que a família habitava um edifício do Estado-Maior, mesmo em frente ao palácio de inverno do Czar. Irmã mais nova de cinco rapazes, vivia no contraste entre a disciplina militar e a preponderância masculina, e a atmosfera cosmopolita e o espírito de liberdade de costumes que na altura caracterizavam São Petersburgo.
A sua educação foi confiada aos cuidados de um pastor protestante de origem holandesa, Hendrik Gillot que, para além de ser o seu mentor, exerceu uma importante influência na puberdade de Lou Salomé, no momento em que havia perdido a sua fé.
Aos dezanove anos, dava início aos seus estudos de Teologia e História da Arte em Zurique, estudos esses que seria forçada a interromper por motivo de doença grave. Deslocou-se então a Roma, em convalescença, para junto de uma amiga, e aí conheceu Friedrich Nietzsche e Paul Ree. Assim, entre abril e novembro de 1882, Lou Salomé descobriu afinidades intelectuais que todos três compartilhavam entre si. Nietzsche e Paul Ree apaixonaram-se por ela e, tendo a ambos sido recusado o pedido de casamento, Lou Salomé contrapõe a sugestão de um ménage-à-trois, que ambos aceitam. Acusada por Nietzsche de frigidez, Lou Salomé teria sido, para além de uma mulher de vanguarda, emancipada e independente, a mais inteligente e mais divertida que o grande filósofo alemão alguma vez conheceu. E, embora todos três viessem a criar obras de grande genialidade como coroação da experiência a três, esta mesma não pode durar. Lou Salomé partiu com Paul Ree, abandonando Nietzsche. Publicou o seu primeiro livro em 1885, Im Kampf um Gott, obra que refletia de um ponto de vista teológico-filosófico as suas questões pessoais.
Em 1887 casou com o professor universitário e orientalista alemão Friedrich C. Andreas, que tinha ameaçado suicidar-se se Lou não acedesse à sua proposta. O matrimónio nunca chegou a ser consumado, em parte devido ao espírito rebelde da escritora, ao seu apego pela liberdade. Viajando com frequência, frequentando os meios revolucionários e anti-burgueses de Berlim, Munique, Paris e Viena, travava conhecimento com escritores célebres, como Gerhart Hauptmann, Henrik Ibsen e August Strindberg. Em 1894 apareceria o seu segundo livro Friedrich Nietzsche in seinen Werken.
Em 1897 conheceu o poeta Rainer Maria Rilke, catorze anos mais jovem que Lou Salomé, e por quem se apaixonou. Publicou, mais tarde, Rainer Maria Rilke (1928) e, a título póstumo, saiu uma compilação da extensa correspondência que trocou com o poeta alemão que revela a longa amizade entre ambos, Briefwechsel mit Rilke (1952).
Associando-se, em 1911, ao círculo de psicanálise de Viena, tornou-se amiga pessoal e discípula de Sigmund Freud, passando a estudar avidamente o tema e a publicar também artigos nas revistas de medicina. Pouco tempo depois, deu início a uma carreira como psicanalista numa clínica. Após a morte do marido (Friedrich C. Andreas), Lou Salomé retirou-se para o lar comum do casal, em Göttingen, que recebeu de herança, dedicando-se à composição do ensaio Mein Dank an Freud (1931), homenagem pública a Freud, mas também tomada de posição em relação ao seu dogmatismo. A correspondência entre ambos seria publicada em 1966, com o título Briefwechsel mit Freud.
Escreveu depois uma retrospetiva da sua vida, Lebensrückblick (1951), e veio a falecer a 5 de fevereiro de 1937, em Göttingen.
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