Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos

Estabelecendo uma relação intertextual com alguns textos de Álvaro de Campos, nomeadamente com "Ode Triunfal", "Ode Marítima" e "Tabacaria", o poema de Cesariny, partindo de um processo de deambulação urbana, onde a observação do real e a sua transfiguração subjetiva evocam ainda Cesário Verde, absorve, pela ironia, pela consciência da ausência de sentido da sua errância, a "angústia indefinida que embebe todos os versos cético engenheiro" (MARTINHO, Fernando J. B. - Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, Colibri, 1996, p. 52). Considerado pelo autor como uma "despedida da teorética neorrealista" e o "primeiro exercício de constatação de que, em realidade abjeta, não há nada para reabilitar, sendo a única estrada da fortuna a da vagabundagem social, moral e política", para Fernando J. B. Martinho este poema de Mário de Cesariny, redigido em 1946, conjuga a "possibilidade de reabilitação do real [...] e a impossibilidade dessa mesma reabilitação [posta em evidência] por Cesariny num circuito de complementaridade em que os elementos realistas e surrealistas do texto se equilibram (id. ibi., p. 49).
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