Lua (simbologia)

A Lua é um símbolo quase universal de feminilidade, passividade, fertilidade, periodicidade e renovação. Enquanto espelho da luz do sol, a Lua atravessa as suas quatro fases visíveis para a Terra e, neste contexto, é sinónimo de transformação e evolução, pois o seu movimento é de um eterno crescimento, de lua nova a lua cheia.
A Lua define-se em relação ao Sol e este em relação à Lua, já que ambos simbolizam respetivamente as polaridades feminina e masculina. Aparentemente, a sua importância é secundária em relação ao Sol, mas na verdade a Lua é tão fundamental como o Sol porque rege a água, fonte de fertilidade e de vida. A Lua traduz os movimentos biológicos já que tem uma influência dominante sobre a água, seja nas marés, nas chuvas ou na constituição líquida dos seres humanos, dos animais e das plantas, sendo a água a maior percentagem da sua matéria. Símbolo da fecundidade, a lua está associada às águas que provocam o início da criação. A Lua simboliza o tempo presente e para muitas culturas ela foi a medida do tempo, como é o caso dos índios da América que mediam o tempo pelos ciclos da Lua, que completos traduziam uma unidade mensal. Para certos povos, a fase oculta da Lua simboliza a passagem da vida para a morte e o renascimento subsequente traduzido pelo crescente lunar. A Lua simboliza ainda a vida imortal, que só é acessível aos heróis e aos reis. Nas culturas da Antiguidade, a Lua estava associada às deusas Ísis, Istar, Artemisa, Diana ou Hécate. No hinduísmo, a Lua representa a vida dos antepassados e também a faceta transformadora de Shiva, que tem como emblema o crescente lunar. Entre os Maias, que adoravam o deus Sol, a Lua era a sua consorte e o seu aspeto negativo. Entre os Astecas, a Lua era filha do deus das chuvas e, para os Incas, era simultaneamente deus das mulheres, consorte do Sol, deusa feminina e esposa incestuosa do seu irmão Sol, já que ambos eram filhos de Viracocha. Tanto na América do Sul como na Europa, as crenças populares atribuíam as manchas da Lua aos ciúmes do Sol, que lhe teria deitado poeiras para ofuscar a sua beleza. Nas culturas etíopes, árabes e sul-arábicas, o Sol é de natureza feminina e a Lua é de natureza masculina, simbolizando a noite apaziguante e repousante para as tribos nómadas do deserto. Para uma tribo de índios do Brasil, a Lua é uma divindade masculina que nada tem a ver com o Sol.
Entre os Hebreus, a Lua simboliza o povo de Israel, e no Alcorão é um dos símbolos do poder de Alá e também um símbolo da beleza suprema. Na tradição islâmica, existem dois calendários, um solar, para as atividades da agricultura, e um outro lunar, para as atividades religiosas. O primeiro calendário céltico era de natureza lunar e a lua fazia parte das fórmulas de juramento. Para Plutarco, a Lua era a morada dos mortos de boa índole antes da sua segunda morte, que seria um novo nascimento. Na astrologia, a Lua simboliza o subconsciente, a noite, a passividade, o sonho, a imaginação ou o psiquismo e tudo o que é inconstante, transitório e instável. Antes do atual Zodíaco de doze casas, existiam outros mais antigos baseados no ciclo da Lua, com vinte e oito casas, que correspondiam ao número de dias do seu ciclo completo. A carta número 18 do arcano maior do Tarot, a Lua, diz respeito à tristeza, à solidão, às doenças, ao fanatismo, à magia e à falsidade.

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